Curitiba - O PT nacional defendeu, neste final de semana, maior entrosamento e mais debate nas relações entre o partido no Estado e o governo Roberto Requião, do PMDB. A aliança entre os dois partidos, que elegeu o governador do Paraná, sofreu arranhões nos últimos dias. Requião criticou a postura do líder do governo no Congresso, senador Aloizio Mercadante, e do presidente do PT estadual, André Vargas, acusando-os de direitistas. Do outro lado, uma ala do PT paranaense (da qual faz parte Vargas) acusou o governador de ser aliado do governo federal só quando convém.
A direção nacional abordou o problema do Estado no fim de semana, durante reunião do partido em São Paulo. O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, quis saber o que havia acontecido no Estado, e frisou o bom relacionamento político que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém com o governador do Paraná. De acordo com Vargas, a cúpula do PT considerou ''superdimensionado'' o atrito local. Mesmo assim, o PT estadual está reavaliando a forma como dá sustentação às ações do Palácio Iguaçu. Vargas explicou que o PT não vai deixar de apoiar o governo Requião, mas que esse apoio será feito ''com debate''. ''A pauta do PT para o segundo semestre é discutir segurança pública, saúde, educação, a questão agrária. Isso de ficar falando em cancelamento de contratos do governo anterior já passou'', avaliou o dirigente petista.
Requião atacou Vargas e Mercadante durante discurso no lançamento do programa Fome Zero no Paraná, na semana passada. As críticas foram feitas na presença do ministro extraordiário de Segurança Alimentar, José Francisco Graziano da Silva. Requião tem postura mais incisiva que a de Vargas, defensor de acordo com as seis concessionárias do pedágio. Já Mercadante criticou o governo Requião por conta do cancelamento de contratos para a geração de energia termelétrica. Segundo sua assessoria, Mercadante não vai comentar o assunto.
Os termos do apoio que o PT empresta ao governo serão rediscutidos no seminário que partido realiza em Curitiba, nos dias 31 de julho, 1º e 2 de agosto. Na visão do deputado Natálio Stica (PT), presidente em exercício da Assembléia Legislativa, o governo precisa ouvir mais sua base. ''As ações que o governo toma deveriam ser melhor discutidas antes'', comentou. Os deputados não querem ser pêgos de surpresa, como aconteceu no final do mês passado, quando Requião aunciou uma intervenção revertida às pressas nas praças de pedágio na véspera da votação da encampação.
O PMDB de Curitiba planejava um ato cívico de apoio à posição do governador, mas uma operação-abafa cancelou o evento, para não piorar ainda mais o mal-estar.

mockup