Por um lado, ele agradeceu os 18 anos de filiação partidária e os quatro mandatos obtidos na Câmara de Vereadores de Londrina. Por outro, o que parece ter ficado foi uma série de mágoas e aborrecimentos com o comando estadual da sigla, em um processo que ele chama de ''fritura''. Dessa forma o vereador Tercílio Turini anunciou ontem à tarde, no grande expediente da sessão da Câmara, sua desfiliação do PSDB, sigla pela qual militava desde 1988 e da qual era presidente municipal.
Com a iniciativa, o PSDB perde uma das três cadeiras que mantém na Câmara e ainda o posto de terceira maior bancada agora pertencente ao PT e PDT , com os vereadores Paulo Arildo e Roberto Kanashiro. Médico como Turini e companheiro dele desde a primeira legislatura, Kanashiro atribuiu a desfiliação ao que chama de desgaste na eleição passada. Na ocasião, Turini era pré-candaditato à Prefeitura de Londrina, mas foi substituído na convenção de junho pelo deputado federal Luiz Carlos Hauly. Na avaliação dele, a Executiva municipal sofre um ''abalo importante'' com a mudança. ''Porque ele tinha uma liderança interna muito forte'', comentou.
Em um primeiro momento, Turini justificou a mudança de partido pelo que classifica de ''fim de uma acomodação política e construção de um espaço político''. O vereador já se define como pré-candidato à Assembléia Legislativa, em 2006, e à Prefeitura, em 2008. Este, aliás, parece ser o propósito mais forte. E por qual sigla? ''Estou em conversações com o PPS e com outros partidos, mas por enquanto não há nada'', desconversou. O presidente do PPS no Paraná, Rubens Bueno, confirma o interesse, mas não o assédio. ''Ele tem o perfil do partido, e nós temos o interesse da candidatura própria ao Executivo Municipal. Agora é conversar e construir essa idéia'', antecipou Bueno.
Turini admitiu que um suposto processo de ''fritura'' ano passado mudou seus planos à frente do PSDB. Ele se referia não só à ''falta de apoio do comando estadual'' a seu nome para prefeito, como também à postura adotada por dirigentes estaduais no segundo turno. Na ocasião, ele, Arildo, Kanashiro e outros integrantes do diretório tucano londrinense declararam apoio à reeleição de Nedson Micheleti (PT), enquanto o diretório estadual preferiria a neutralidade adotada por Hauly. ''Chegamos a receber ameaças por fax, deles, durante reuniões em que discutíamos apoio ao Nedson. Fora isso, era uma série de empecilhos para eu não sair candidato, ao passo que antes do pleito eu precisava afirmar quase todo dia que era candidato. Foi uma 'fritura', sim''.

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