O Plano Real, considerado divisor de águas na política econômica do País, completa hoje anos de sua edição pelo governo federal, passando por mais uma crise que deixa população e governo em clima de intranquilidade. Os reflexos da crise argentina, a disparada do dólar no mercado financeiro, a meta de inflação já revista pela equipe econômica para este ano e a escassez de energia que condena os setores produtivos brasileiros à estagnação fazem com que se crie um estado de apreensão, avalia a maioria dos economistas. Mas todos são unânimes em afirmar que as turbulências de 2001 são muito mais amenas em relação às que ameaçaram o plano de estabilização em 1997 com a crise asiática e em 1998 com a russa.
Algumas atitudes tomadas pelo governo federal como a desvalorização do real, em janeiro de 99 foram decisivas para que o País se fortalecesse. ‘‘A situação agora é mais amena, porque estamos mais voltados para a internacionalização. Nossas exportações aumentaram e o País se equipou melhor’’, afirma o professor de Política Econômica da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e assessor da Federação do Comércio, Vanberto Santana. Ele ressalta, no entanto, que o período de incerteza vem com a redução na previsão de crescimento da economia que era de 4,7% e reduziu para 3%.
Dos sete anos de estabilização, o saldo é um país que a duras penas se acostumou a conviver sem a inflação mas com uma taxa de juros elevada que chegou ao patamar dos 40%, em 1998, e hoje está em 18,5%, conforme decisão do Conselho de Política Monetária (Copom) anunciada nesta semana. Há três meses as taxas têm sido aumentadas numa tentativa de segurar a retomada da inflação e conter as variações cambiais. ‘‘Para manter o real, a taxa de juros foi elevada e houve estagnação. Isso provocou o aumento dos endividamentos interno e externo. A economia ficou fragilizada’’, analisa o economista do Dieese no Paraná, Cid Cordeiro.
A dívida externa saltou de US$ 148,28 bilhões para US$ 236,15 bilhões no ano passado. A dívida interna no setor público que representava 30,96% do Produto Interno Bruto (PIB), em 94, hoje compromete 50,04%, segundo dados relativos a março.
Cordeiro descarta um retorno da inflação galopante que caracterizava o período pré-real, mas alerta para a necessidade de se estabelecer no País uma política contínua de desenvolvimento. ‘‘Temos que ter um projeto de crescimento, que estimule os setores produtivos à exportação’’, diz o técnico do Dieese.
A reforma tributária também é citada por empresários e lideranças como necessária para manter a estabilização e promover o crescimento econômico, com reversão da balança comercial. ‘‘Muito já foi feito para manter o programa de estabilidade, mas há muito o que fazer. A reforma fiscal é uma delas, pois a quantidade de impostos onera a produção nacional’’, afirma o presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), José Carlos Gomes Carvalho. Para Carvalho, a turbulência econômica pela qual atravesa o País é apenas ‘‘uma tempestade que faz parte do processo e que passarᒒ.

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