Turbulência política adia tramitação da Previdência, diz Francischini
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de março de 2019
Mariana Franco Ramos - Grupo Folha 
Curitiba – O presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, Felipe Francischini (PSL-PR), afirmou nessa segunda-feira (25) que pretende indicar o relator da reforma da Previdência nos próximos dias, depois do tempo inicialmente previsto. O atraso, segundo ele, se deve a situações como rusgas entre parlamentares, inclusive da base aliada ao presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ), atritos de governistas com o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e ainda reflexos da prisão do ex-presidente Michel Temer (MDB-SP), que ontem acabou solto (leia na página 5).
“Estou estudando três ou quatro nomes. Era para eu ter anunciado na quinta-feira (21) passada, no entanto, durante a semana eu observei que houve deterioração do cenário político, não só com a prisão do ex-presidente Temer e do ex-ministro Moreira Franco, mas também algumas questões de rusgas entre o ministro [Sergio] Moro, o Rodrigo Maia, e outros deputados também se digladiando um pouco pelo Twitter e pelo Instagram”, contou. Francischini falou com a reportagem da FOLHA em visita à AL (Assembleia Legislativa) do Paraná.
Outro ponto que dificultou o início da tramitação da proposta na CCJ, de acordo com o deputado, foi o projeto que trata das regras dos militares. “Veio muito aquém da expectativa. Esperava-se uma economia de R$ 100 bilhões em dez anos e acabou virando R$ 10 bilhões em dez anos. Então, 10% da expectativa foi cumprida (...) Nesse momento eu tenho que ter responsabilidade de não fazer nada de maneira sodada, nem de maneira correndo, que prejudique a reforma”, ponderou.
REUNIÃO
Francischini disse ainda que falou duas vezes com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, nessa segunda, e que o político do DEM convocará uma reunião assim que possível com Maia, para que possam “recontinuar uma tramitação saudável da previdência”. “Eu torço para que isso aconteça logo, porque tão logo isso aconteça a gente vai estar designando um relator para a matéria na CCJ e, designado o relator, é questão de uma ou duas semanas no máximo para tramitar, votar e já passar para a comissão especial”.
Questionado se as rusgas entre deputados e o governo estariam aparadas, ele respondeu que é preciso observar. “Eu digo que é muito importante o dia de hoje [segunda] e o dia de amanhã [terça]. Houve essa questão institucional na semana passada e nesse final de semana [quando os deputados Kim Kataguiri (DEM-SP) e Joice Hasselmann (PSL-SP) trocaram ofensas via Twitter]. As questões têm de ser resolvidas muito rapidamente, senão acaba criando atritos que não se controlam mais ao longo do tempo. Torço para que até amanhã [hoje] o cenário esteja bem melhor”, completou.


