Terminou em tumulto e gritaria a distribuição de senhas na Câmara de Vereadores de Londrina na tarde de ontem entregues para aqueles que pretendem acompanhar a sessão de julgamento político do prefeito Barbosa Neto (PDT), no caso Centronic. A sessão está marcada para a próxima segunda-feira, às 9 horas. O problema começou no meio da tarde, quando as senhas para as pessoas que apoiam a cassação do prefeito acabaram e eles começaram a requisitar a sobra das senhas do outro lado da galeria - destinada aos que defendem a permanência do prefeito no cargo.
No início da semana, o diretor da Câmara informou que, por motivo de segurança, os grupos favoráveis e contrários a Barbosa ficariam divididos, inclusive entrando por portas separadas do prédio na segunda-feira, para evitar tumultos. A Polícia Militar, além disso, na hora da distribuição das senhas, tirou uma foto de identificação de cada pessoa.
As senhas começaram a ser distribuídas às 14 horas. Mas, já por volta das 11 horas, na porta destinada aos favoráveis à cassação - pela entrada do Centro Cívico - alguns representantes do movimento popular contra a corrupção ''Por Amor a Londrina'' e alguns populares já começavam a formar fila. Já do outro lado da Câmara, na porta da frente, o movimento só começou mais tarde, após as 13 horas. Foram distribuídas 46 senhas para os favoráveis à permanência do prefeito no cargo e o restante (38 números) foram levados pelo chefe de gabinete do Barbosa, Paulo Baratto, para distribuir entre os secretários e pessoas ligadas à administração.
No lado oposto do prédio, faltou senha. Cerca de 130 pessoas estavam esperando pegar um número, mas somente 84 foram distribuídos. Inicialmente a Casa distribuiria 90 para cada lado, mas houve um acordo entre as partes para que 12 senhas - seis de cada lado - fossem destinadas a estudantes de jornalismo da Universidade Estadual de Londrina.
''Isso é um absurdo. Se estamos em maior número, a Câmara deveria pegar os números que sobraram e dividir entre a gente. A Casa é do povo'', defendeu Fernando Alfradique Scanferla, um dos representantes do movimento que pede a cassação do pedetista. Cerca de 40 pessoas ficaram na porta da Câmara gritando ''queremos senha'', mas foram embora uma hora depois sem conseguir o que pediam.
O tenente coronel Samir Elias Geha, comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar em Londrina, alegou que não havia a possibilidade de misturar as duas partes nas galerias. ''É uma questão de segurança para eles próprios. Não tem como misturar os lados na mesma galeria. Só assim evitaremos confusão'', explicou.
No dia da sessão, a PM montará um esquema de segurança externo e interno no prédio da Câmara. ''As pessoas não podem esquecer de trazer a senha, RG e um comprovante de residência para poder assistir à sessão'', explicou. No dia, as pessoas ainda deverão passar por um detector de metais. ''Faixas serão liberadas desde que não tenham nada que possa ferir alguém'', finalizou.

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