Agência Estado

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ArruaçaManifestante cai e é ajudada por um parlamentar: troca de acusações, socos e empurrões marcaram o protesto no plenário da CâmaraGoverno e oposição perderam ontem o controle do andamento dos trabalhos de votação da reforma da Previdência. Deputados, manifestantes e seguranças se enfrentaram, uma porta foi arrancada e o plenário da Câmara foi invadido por sindicalistas e aposentados.
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), reforçou a segurança interna e acionou a Polícia Militar do Distrito Federal, que manteve a tropa de choque de prontidão na entrada do Congresso. ‘‘Considero gravíssima (a invasão do plenário), (o suficiente) para restabelecer minha posição de secretário de segurança e chamar a polícia. Foi uma agressão à democracia’’, disse Temer.
Um grupo de aproximadamente 60 manifestantes invadiu o plenário depois de ter sido proibido de acompanhar a sessão na Comissão Especial que analisava a emenda da reforma da Previdência. Deputados da oposição e manifestantes protestavam contra decisões de Temer e do presidente da Comissão Especial, José Lourenço (PFL-BA), que mantiveram a sessão de sexta-feira passada, mesmo com irregularidades regimentais.
Os manifestantes eram sindicalistas da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e da Cobap (Confederação Brasileira dos Aposentados), principalmente. Eles invadiram o plenário porque havia a possibilidade de a reunião da comissão ser transferida para o local. O presidente da CUT, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, e os deputados da oposição perderam o controle dos manifestantes, que se negavam a sair do plenário. Vicentinho subiu na bancada dos parlamentares e realizou uma assembléia, na tentativa de resolver a crise instalada com a invasão do plenário. ‘‘O Vicentinho pensa que aqui (o plenário) é pátio de fábrica? Ou sai por bem ou sai por mal’’, afirmou o deputado Francisco Rodrigues (PTB-RR).
Temer havia dado 30 minutos para que os sindicalistas desocupassem o plenário antes da entrada da polícia. A invasão do plenário deixou a oposição em pânico. Os deputados se empenhavam em retirar os manifestantes. ‘‘Do ponto de vista político, é desgastante para nós da oposição’’, disse o líder do bloco de oposição e do PT, José Machado (SP), do alto da bancada do plenário. A deputada Marta Suplicy (PT-SP) tentava convencer um dos manifestantes mais resistentes. ‘‘Até agora nós estávamos com a razão. Vocês precisam sair’’, disse Marta. ‘‘Com toda a razão, deputada, eles (governistas) vão votar (a reforma) na quarta-feira’’, retrucou José Maria de Almeida, diretor da CUT.
‘‘O plenário é o coração da instituição’’, afirmou o líder do PSB, Alexandre Cardoso (RJ). ‘‘Agora avacalharam conosco’’, disse o deputado Humberto Costa (PT-PE).
A confusão teve início na Comissão Especial, quando José Lourenço decidiu retirar os manifestantes da sala. A oposição reagiu e Lourenço resolveu, então, levar os deputados para sala em frente. Deputadas da oposição fizeram um piquete na porta para impedir a entrada dos parlamentares. Como os deputados usaram uma porta secundária, as deputadas liberaram a entrada e a oposição tentou entrar com os manifestantes. A segurança da Câmara tentou impedir. Por cerca de 20 minutos, houve empurra-empurra, socos e pontapés envolvendo deputados, manifestantes e seguranças. A porta da comissão foi arrancada. O deputado Lindberg Farias (PSTU-RJ) deu uma ‘‘gravata’’ em um segurança que trocava socos com um manifestante. (AF)

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