Tumulto impede aumento salarial
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terça-feira, 12 de dezembro de 2000
Sid Sauer De Campo Mourão 
Um tumulto provocado por cerca de 50 pessoas impediu que a Câmara de Araruna (19 km ao norte de Campo Mourão) votasse ontem um projeto de lei prevendo um aumento de 330% aos vereadores que tomarem possem no próximo dia 1º de janeiro. Os manifestantes chamaram os vereadores de covardes e traidores porque há cinco meses antes das eleições eles haviam aprovado salários 77% menores para quem assumisse em janeiro.
O projeto que deveria ter sido votado ontem fixa o vencimento dos vereadores da próxima legislatura em R$ 1,3 mil. É o mesmo valor da legislatura atual. Um projeto aprovado em junho, no entanto, havia definido que a partir de janeiro de 2001 os vencimentos seriam reduzidos para R$ 302,00. A população se revoltou porque se sentiu enganada. Eles abaixaram os salários só para ganhar voto. Agora que se reelegeram, querem o aumento de volta, disse um manifestante.
Dos nove vereadores de Araruna, seis foram reeleitos. Dos que conseguiram a reeleição, quatro assinaram o projeto prevendo o novo aumento, incluindo o presidente da Câmara, Genésio Marques de Souza (PPS). A Folha não conseguiu falar com ele ontem. Em junho, quando votou favorável ao salário de R$ 302,00, Souza disse à reportagem que o salário de R$ 1,3 mil era muito alto para se trabalhar apenas uma vez por semana, quando são realizadas as sessões.
O vereador Samuel Gonçalves (PTB), um dos cinco favoráveis ao aumento e um dos seis que se reelegeram, disse que o tumulto de ontem foi provocado, na maioria, por candidatos a vereadores que não conseguiram se reeleger. Ele disse que não estava autorizado a falar sobre o projeto e que o assunto deveria ser tratado com o presidente da Câmara. A Polícia Militar acompanhou a sessão, mas não houve agressões físicas nem quebra-quebra.
A reunião realizada ontem no final da tarde foi a última sessão ordinária da atual legislatura. O projeto definindo o salário dos vereadores devem voltar à discussão amanhã e na quinta-feira, em sessões extraordinárias a partir das 9 horas. A emenda constitucional número 25, que entra em vigor em 1º de janeiro, diz que vereadores de cidades entre 10 mil e 50 mil habitantes, como Araruna, podem ganhar até R$ 1,8 mil. Pelo princípio constitucional da impessoalidade, no entanto, a definição deveria ocorrer antes da eleição.


