Tumulto atrasa votação da Copel
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de agosto de 2001
Maria Duarte<BR>De Curitiba 
Até o fechamento desta edição, por volta das 0h30, os deputados estaduais ainda não haviam votado o projeto de iniciativa popular que impede o governo de vender a Companhia Paranaense de Energia (Copel).
A sessão foi suspensa várias vezes por causa de tumultos no plenário e dos protestos das galerias. O presidente da Casa, Hermas Brandão (PTB), solicitou reforço policial do serviço de Ronda Extensiva (Rone).
Além do projeto popular que cassa a autorização concedida pela Assembléia Legislativa em 1998 para o Estado vender a Copel (Lei 12.355/98), outros dois projetos impedindo a venda da Copel estavam na pauta de ontem: um do deputado Divanir Braz Palma (PST), suspendendo o processo de privatização por 90 dias, e outro do pepebista Tony Garcia, também revogando a autorização.
A situação teve três baixas: a da deputada Serafina Carrilho (PL), que na semana passada já havia se manifestado contra a venda, e do pefelista Chico Noroeste. Ele anunciou que votaria com a oposição às 18h30. ''O governo prometeu o Hospital Regional de Foz do Iguaçu e até agora não fez nada'', declarou. O outro motivo que levou o parlamentar a mudar de voto foi o resultado de uma pesquisa que ele encomendou, mostrando que 97% dos entrevistados na região de Foz são contrários à venda. A decisão de Chico Noroeste coloca o tucano Sérgio Spada em situação desconfortável. O reduto eleitoral de Spada, que não compareceu à sessão de ontem, também é Foz do Iguaçu. A terceira perda do governo foi o deputado Tiago Amorim (PTB), que declarou que votaria com a oposição, apesar de ser da base governista. A oposição perdeu o voto do deputado tucano Luiz Fernandes Litro da Silva.
O dia também foi de intensas negociações entre governo e deputados aliados. O governador Jaime Lerner passou a manhã no Chapéu Pensador. O secretário de Fazenda, Ingo Hubert, também participou das negociações.
A versão do Palácio Iguaçu para a privatização é a necessidade de capitalizar o fundo previdenciário, retomando a capacidade de investimentos do Estado. A bancada de oposição alega que o governo está interessado na venda para viabilizar as eleições do próximo ano.
A oposição estava apreensiva antes da votação. O líder dos partidos de oposição, Waldyr Pugliesi (PMDB), se dizia ''esperançoso''. ''Mas em política só não vi ainda cavalo voando. Tudo é possível'', desabafou. A oposição elaborou requerimento pedindo votação nominal.
O advogado do PT, Guilherme Gonçalves, disse no final da tarde que o deputado Irineu Colombo (PT) pediria a anulação da sessão de ontem porque a mesa não teria cumprido uma exigência do Regimento Interno. (colaboraram Dimitri do Valle e Israel Reinstein).


