Além de irregularidades no serviço de tanatopraxia (técnica de conservação de cadáveres) e na venda de jazigos pela Administração de Cemitérios e Serviços Funerários (Acesf), os órgãos de fiscalização do município deverão se deter sobre um novo problema detectado ontem pela FOLHA: a construção de túmulos nas ruas de circulação dos cemitérios. No Cemitério São Pedro (Centro), uma das ruas já está obstruída por 11 túmulos. É fácil notar, porém, que outras vias também estão sendo ocupadas e que já há túmulos obstruindo um portão lateral.
A reportagem foi ao cemitério após ser avisada do problema por Jorge Hitoshi Kaiamori, um senhor de 81 anos que esbanja vitalidade e que tem parentes sepultados no local. Ele tomou a iniciativa após ler as reportagens da FOLHA sobre a venda forçada de tanatopraxia.
''Isso é um absurdo, uma afronta com o munícipe. Quem tem um terreno no cemitério, já enterrou seus parentes, tem que ter um mínimo de conforto'', conta. ''Eu acho que quem comprou também está errado, porque dá para ver que é área irregular. Mas o pior é o poder público: como é que pode vender a rua?. Não entra na cabeça da gente um dirigente permitir uma coisa dessa'', reclama.
Para Kaiamori, os problemas teriam sido evitados se a planta arquitetônica do cemitério fosse respeitada. Outra fonte de reclamação é a falta de plantio de árvores para substituir as centenas de espécimes que foram erradicadas ao longo do tempo. ''Se a árvore não está boa, tem que arrancar. Mas tem que ir plantando as outras ao mesmo tempo, não é?'', cobra. ''O que uma pessoa de fora vai pensar se vier aqui? Que não temos lei, não temos ordem? Olha, ainda é hora de evitar que o cemitério vire uma bagunça total, mas tem que começar logo''.
O controlador-geral do Município, Mílson Dias, que está procedendo a uma auditoria completa na Acesf, disse que vai analisar o caso. ''É uma coisa estranha. A gente estava se detendo mais na forma com que os terrenos são vendidos, mas vamos analisar isso também.''
A nova superintendente da Acesf, Camila Kauam, não quis se pronunciar. O promotor de Defesa do Patrimônio Público, Renato de Lima Castro, disse que vai analisar todas as conclusões da Controladoria para verificar que ações serão tomadas.

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