Ney de Souza/Folha de LondrinaO xerife Tuma: atrás dos doleiros da fronteira com o ParaguaiO senador Romeu Tuma (PFL-SP) e o diretor do Departamento de Câmbios do Banco Central, José Rafael Schimitt Neto, conseguiram vasculhar ontem em Foz do Iguaçu, fronteira entre Brasil e Paraguai, seis contas de doleiros envolvidos no esquema de lavagem de dinheiro vindo dos negócios com títulos públicos. Duas delas movimentaram cerca de R$ 130 milhões.
Tuma está rastreando depósitos feitos pelo Banco do Estado de Rondônia (Beron), em São Paulo, para doleiros da fronteira entre os dois países. O relatório da auditoria feita pelo Banco Central nas contas do Beron, segundo Tuma, aponta que as empresas Split, Perfil, Investi-Sul e Negocial movimentaram mais de R$ 1 bilhão com a venda de títulos.
Desse total, segundo o relatório, 47% passaram por agências bancárias de Foz do Iguaçu, através de depósitos em nome de empresas, bancos e pessoas físicas. Além das contas dos doleiros Carmem e Godoy, o senador rastreaou a conta de Sérgio Chiamarelli, no Banestado, por onde passou uma parte menor do dinheiro conseguido pela empresa Split. Chiamarelli, segundo Tuma, deve ser um dos ‘‘laranjas’’ da empresa.
Tuma tem uma lista preparada pela CPI dos Títulos Públicos, que inclui o Banco del Paraná, por onde passaram cerca de R$ 113 milhões. Ontem, ele rastreou contas dos três envolvidos nas agências do Banco do Brasil e Banestado. Hoje, o senador vai levantar extratos bancários do Unibanco e Banespa. ‘‘Dependendo dos resultados das investigações, nós vamos checar o Banco Araucária e Amambay, esse último com sede no Paraguai’’, previu.
O diretor de Câmbios do Banco Central adiantou que, possivelmente, os doleiros tenham usado instituição financeira do exterior com escritório no Brasil para enviar o dinheiro ao Paraguai. Ele desconfia que tenha havido uma triangulação, onde os doleiros recebiam depósitos em suas contas, repassava-os para essas instituições que, então, remetiam o dinheiro para o exterior.
O senador disse que havia pouco indício de envio legal de dinheiro para o exterior e admitiu a possibilidade de transformação de reais em dolar ainda em Foz do Iguaçu.

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