Tuma vai requisitar disquetes do Prodasen
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sábado, 21 de abril de 2001
Ibsen Costa Manso Agência EstadoDe Brasília 
O corregedor do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP), vai requisitar todos os disquetes e computadores utilizados pelos técnicos do Prodasen para quebrar o sigilo na votação que cassou o mandato do ex-senador Luiz Estevão. Precisamos encontrar o corpo de delito, afirmou Tuma, numa referência à lista nominal da votação.
Especialistas ouvidos pela Agência Estado afirmam que a operação realizada pelos técnicos do Prodasen apagou definitivamente a lista nominal nos computadores do sistema de votação do painel eletrônico. Dificilmente a equipe de peritos da Unicamp poderia recuperá-la. Mas a relação poderia ser encontrada no disquete extraído, mesmo que tenha sido deletada (apagada), como afirmou a ex-diretora do Prodasen Regina Célia Peres Borges. E também recuperada nos computadores do Prodasen, caso o conteúdo do disquete tenha sido copiado para posterior impressão.
A divulgação da lista da votação causaria enorme constrangimento a todos. A revelação dos votos secretos poderia provocar desgaste aos partidos e aos parlamentares que não votaram conforme sua orientação político-eleitoral. Caso um desses parlamentares sugerisse, por exemplo, que teve seu voto modificado, seria aberto um largo caminho para a anulação da sessão de votação e o regresso de Estevão ao Senado.
Houve pressa em anunciar oficialmente que não houve adulteração dos votos, apenas a violação do sigilo. Os peritos da Unicamp, entretanto, afirmaram que não foram encontrados indícios de modificação dos votos, mas não há como descobrir se isso foi feito ou não.
Já os demais passos dos técnicos do Prodasen foram relatados nos mínimos detalhes. Aparentemente, os operadores jamais imaginaram que o ato criminoso da quebra do sigilo viesse a público e originasse uma investigação tão aprofundada. Bastaria ter formatado fisicamente (apagado integralmente) os discos rígidos para que nenhuma pista relevante fosse encontrada.
Nem mesmo a alteração do programa seria necessária. A própria ex-diretora do Prodasen espantou-se com a fragilidade do sistema. Seria necessário apenas copiar o banco de dados para o disquete antes do encerramento da votação, quando os votos ainda estão abertos, seguindo concepção original do sistema.
Da forma como foi feita, restaram pistas digitais por todos os cantos. Poderiam ter entrado pela porta, mas arrombaram a janela e não recolheram os cacos, comparou o corregedor, ex-diretor-geral da Polícia Federal.
A operação chega a ser singela, segundo especialistas em computação. Primeiro, modificaram o programa, tornando inócuas instruções que apagavam o conteúdo dos votos (sim, não ou abstenção) após o encerramento da sessão. Mais tarde, extraíram a lista do banco de dados para um disquete e apagaram manualmente os votos nominais do sistema.


