O corregedor do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP), solicitou ontem ao procurador- geral da República, Geraldo Brindeiro, a fita com a gravação da conversa entre o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e três procuradores da República, ocorrida na semana passada. Mesmo que a fita esteja danificada, uma vez que fora pisoteada pelo procurador Luiz Franciso de Souza, o senador pretende enviá-la à perícia técnica. ‘‘O mais importante é o teor da fita’’, disse o corregedor.
Tuma também pretende convocar ACM e o procurador Luiz Francisco de Souza para confrontar as versões a respeito da conversa entre o ex-presidente do Congresso e integrantes do Ministério Público.
Ontem, o senador paulista instaurou uma sindicância na Corregedoria que vai apurar se o sistema de votação secreta do Senado pode ou não ser violado. Tuma retirou o lacre do sistema de votação do plenário do Senado dando início à perícia, feita por peritos da Universidade de Campinas (Unicamp). O corregedor espera concluir o trabalho dentro de uma semana e encaminhar seu relatório à Mesa do Senado.
Um dia após declarar que destruíra a fita com que gravou a conversa com o ACM, o procurador Luiz Francisco afirmou ontem que não deu cabo da gravação e não jogou no lixo o cassete com melhor qualidade. ‘‘Não destruí a fita e não joguei nada no lixo’’, disse o procurador. ‘‘Destruir o invólucro plástico não quer dizer que a fita foi destruída.’’
Luiz Francisco acabou criticado por Geraldo Brindeiro por ter pisoteado na fita. Segundo o procurador-geral, ‘‘as fitas deveriam ter sido preservadas’’ porque as supostas afirmações do senador seriam graves. ‘‘Acho que ninguém ficou contente (com a inutilização da gravação)’’, comentou. ‘‘A fita feita, tendo validade jurídica para fins criminais, não vejo razão para destruí-la a não ser por problema emocional.’’

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