Tuma identifica conta-fantasma
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de abril de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - O senador Romeu Tuma (PFL-SP), encarregado pela CPI dos Títulos Públicos do Senado de rastrear a rota do dinheiro do esquema dos precatórios, obteve a ficha do Banco do Estado do Paraná (Banestado) de abertura de conta em nome do paraguaio Lúcio Bobadilha. Ele já confessou à Justiça de Porto Juan Caballero nunca ter assinado nenhum cheque desse banco nem qualquer outro documento. Se a CPI comprovar que o paraguaio Bobadilha é mesmo um laranja, o Banestado será o segundo banco público onde foi identificada conta-fantasma. O primeiro foi o Banco do Estado de Rondônia (Beron).
No Banestado, quem aparece como procurador de Bobadilha, responsável pela o movimentação de mais de R$ 3 milhões, é o paraguaio Eulálio Gomes, ex-gerente do banco Amambay. O juiz me disse que o Lúcio Bobadilha é um rapaz pobre, que provavelmente foi usado pelo esquema, contou o senador.
Segundo informações repassadas a Tuma pela Justiça paraguaia, o ex-gerente Eulálio Gomes teria trazido de lá o funcionário Victor Hugo Martinez para exercer cargo na diretoria do banco Dimensão, com sede no Rio de Janeiro. Tenho certeza de que o Dimensão e o Amambay têm uma conexão muito forte, definiu Tuma. Pelo Dimensão, passaram boa parte dos R$ 123 milhões obtidos pela IBF Factoring na ciranda financeira decorrente da emissão de letras por Estados e municípios.
Temos de ouvir os donos do Dimensão e pedir ao Banco Central que faça já uma auditoria no banco, acrescentou Tuma. Segundo o senador, há indícios de que outros beneficiários dos cheques da IBF no Paraguai sejam fantasmas.


