Ney de Souza/Folha de LondrinaMeio caminhoRomeu Tuma: ‘‘O depoimento de doleiros seria um atalho’’Os documentos e extratos de onze contas na fronteira entre Brasil e Paraguai comprovam a lavagem do dinheiro depositado no Banco do Estado de Rondônia (Beron), feito por empresas envolvidas na venda de títulos públicos. Quase a metade do que a empresas Perfil, Split, Investi-Sul e Negocial ganharam com a venda dos precatórios passou por Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, no Paraguai.
O senador Romeu Tuma (PFL-SP) terminou ontem o levantamento nas contas bancárias de pessoas físicas, jurídicas e doleiros da fronteira. Todos eles receberam dinheiro vindo das empresas envolvidas com os títulos públicos através do Beron. O rastreamento, segundo o senador, comprova a lavagem do dinheiro através de doleiros da fronteira. Tuma reuniu documentos que materializam os depoimentos feitos pela CPI. ‘‘Falta recolher provas materiais e saber quem mandou dinheiro para doleiros e quem os recebia de volta, depois de lavados. O depoimento de doleiros seria um atalho’’, disse.
Das onze contas levantadas pelo senador, duas pertecem a família Alonzo Godoy, envolvida em negócios com bancos e casas de câmbios do Paraguai. Nas contas do doleiro Benício Alonzo Godoy e de sua irmã Carmem Javiel Alonzo, passaram R$ 130 milhões através da agência Centro do Banco do Brasil de Foz do Iguaçu. Tuma acredita que todos esses depósitos foram feitos pelo Banco do Estado de Rondônia (Beron), a pedido de empresas envolvidas na venda de títulos públicos.
Um relatório do Banco Central aponta que as empresas Split, Perfil, Investi-Sul e Negocial depositaram mais de R$ 1 bilhão com a venda de títulos nas constas do Beron.
O senador Romeu Tuma identificou ontem duas contas do Banco Araucária em Foz do Iguaçu. A instituição não trabalha com contas correntes e administra fundos de pensão e opera com câmbios. Tinha contas no Banco do Estado de São Paulo (Banespa) e Unibanco de Foz do Iguaçu.
Por essas duas contas passaram R$ 16,5 milhões vindos do Beron. A diretora do Banco Araucária, Ruth Bandeira, prestou depoimento ontem na Delegacia da Polícia Federal e explicou que a movimentação nas contas do Banespa e Unibanco representa depósitos feitos por comerciantes de Ciudad del Este, que recebem reais de sacoleiros e os envia a Foz do Iguaçu em espécie para transformá-los em dólares.
Os valores, segundo Ruth, eram depositados nas contas que o Banco Araucária mantém no Unibanco e Banespa. Dessas contas, segundo Ruth, o dinheiro era transformado em dólar e enviado para o Swiss Bank, em Nova Iorque. Nos Estados Unidos, o dinheiro fica, então, a disposição dos seus clientes paraguaios.
Esse procedimento, segundo Tuma, é legal e tem respaldo do Banco Central. Porém, a diretora do Araucária não explicou a origem dos R$ 16,5 milhões depositados pelo Beron. Porém, a diretora não explicou a origem dos R$ 16,5 milhões depositados pelo Beron nas suas contas. ‘‘Isso pode ter vindo de comissões pela conversão de dinheiro de clientes desse banco e envio de dinheiro para o exterior’’, disse Ruth.

mockup