Túlio denuncia Lerner e Taniguchi
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quinta-feira, 17 de agosto de 2006
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O candidato a deputado estadual Algaci Túlio (PMDB) acusou ontem o grupo comandado pelo ex-governador do Paraná Jaime Lerner (PSB) de ter sido responsável pelos empréstimos bancários ilegais realizados em 1996, e que resultaram no último dia 10 na condenação do candidato a sete anos e cinco meses de reclusão, além de multa. O grupo também seria comandado pelo ex-prefeito de Curitiba Cassio Taniguchi, candidato a deputado federal pelo PFL. ''Isso está na minha garganta há dez anos. Eu pertenci a um grupo que não deu o devido valor à minha lealdade'', disse Túlio na entrevista coletiva ontem à tarde.
Túlio, que até o início do ano ocupava a presidência do Procon do Paraná, disse que chamou a imprensa para explicar que irá recorrer da decisão do juiz da 3 Vara Criminal, Nivaldo Brunoni, que o condenou em primeira instância por envolvimento em crime de falsidade ideológica (2 anos) e gestão temerária (5 anos), e que não foi responsável por ''facilitar'' a saída ilegal de empréstimos do Banestado. Também foram condenadas outras três pessoas por participação no crime e nove ex-diretores do Banestado, incluindo um sobrinho de Túlio, Arlei Mario Pinto de Lara. A condenação foi divulgada na terça-feira pela assessoria da Justiça Federal no Paraná.
O ex-presidente do Procon disse que em 1996, quando pertencia ao PDT, queria disputar a prefeitura de Curitiba e, por isso, já havia até ''colocado campanha na rua''. Na época, o então pedetista e governador do Paraná Jaime Lerner teria optado, porém, por lançar o nome de Cassio Taniguchi (PFL) e convidado Túlio para sair como vice na chapa. ''Eu tinha 8% das intenções de voto e o Cassio tinha 2%, mas o Lerner preferiu lançar um técnico e não um político. Daí eu sofri uma grande pressão do grupo para abrir mão e sair vice do Cassio'', disse. Túlio aceitou a missão mas disse que já havia gasto R$ 200 mil com a campanha nas ruas e que a quantia deveria ser contabilizada junto com as futuras despesas da campanha com Cassio. Túlio afirma que o grupo ficou de ''cuidar do caso''. ''A idéia de pedir empréstimo foi do grupo. Daí que começou a 'maldita operação' no Banestado'', revela.
Túlio confirma que assinou dois pedidos de empréstimo, no valor de R$ 100 mil cada, mas que a dívida passou a ser do grupo comandado por Lerner. ''Ninguém me daria empréstimo num valor tão alto, eu não tenho nem cadastro. No depoimento de diretores do banco eles disseram que foram obrigados a autorizar o empréstimo por ordem superior'', denunciou. Túlio disse que, na época, já havia se desligado das empresas de propaganda política que constam como beneficiárias dos empréstimos.
''Existem várias cartas minhas encaminhadas ao Lerner e ao Cassio sobre a minha preocupação com as operações. Mas eles se omitiram, eu fui um 'laranja''', disse. Durante a entrevista, Túlio chegou a se emocionar e chorou ao ressaltar que são ''dez anos de sofrimento''.


