O deputado Algaci Túlio (PDT) ficou de fora do secretariado do prefeito eleito Cássio Taniguchi, cujos nomes serão anunciados hoje. Túlio ficará apenas como vice prefeito de Curitiba, abrindo mão de seu mandato parlamentar. Até ontem à tarde, o deputado pressionou o futuro prefeito a incluir ele ou seu filho, Marcelo Túlio, em uma secretaria. Além de não ceder, Taniguchi cobrou de Túlio o compromisso firmado na campanha eleitoral de que ele ficaria na prefeitura.
Túlio chegou a se convencer na semana passada que seria suficiente para ele ficar apenas na condição de vice-prefeito. Mas ontem se arrependeu e pediu um cargo para seu filho. Taniguchi perdeu sua típica calma oriental e por pouco não discutiu com o deputado. ‘‘Algaci, já não chega o Jotapê com os problemas da disputa pela presidência da Câmara?’’, esbravejou. O prefeito eleito se referiu ao vereador José Aparecido Alves (PDT), que tem batido de frente com o futuro prefeito, insistindo para ser candidato a presidente da Câmara Municipal.
Duas horas mais tarde, Algaci Túlio e Cássio Taniguchi anunciaram à imprensa que o deputado deixaria a Assembléia para ficar na prefeitura. Túlio tentou demonstrar segurança e tranquilidade enquanto comunicava que nunca teve pretensão de ser secretário municipal. Mas em alguns momentos deixou escapar seu descontentamento. ‘‘Não assumo secretaria porque não me foi oferecida’’, afirmou. Depois, se contradisse ao afirmar que Taniguchi ofereceu a ele a secretaria que quisesse. Bastaria ele escolher.
Taniguchi não deu muitas explicações sobre o motivo que o levou a deixar Algaci Túlio fora do secretariado. Disse apenas que se tratava de uma visão estratégica. ‘‘Vamos fazer uma gestão compartilhada’’, afirmou, ao se referir à maneira como pretende aproveitar seu vice. O futuro prefeito afirmou que a função de Túlio seria semelhante à que a vice-governadora Emília Belinati (PDT) ocupa no governo do Estado, isto é, não seria apenas um cargo decorativo.
Sentado pouco à vontade em sua cadeira, no Instituto Jaime Lerner, onde aconteceu uma entrevista coletiva, Algaci Túlio afirmou que não poderia ser secretário porque não conseguiria ficar parado num mesmo lugar. ‘‘Não saberia ficar preso a uma mesa de secretário. Como vice, vou me sentir solto para fazer um trabalho que me satisfaça’’, declarou.
Com a saída de Túlio da Assembléia Legislativa, inicia-se a disputa pela vaga de líder do governo. Túlio disse que pediu ao governador Jaime Lerner que coloque o deputado Valdir Rossoni, atual líder do PDT, no cargo. A vaga de deputado de Túlio deve ser preenchida por Ademar Traiano (PTB), já que o primeiro suplente, Marcos Isfer, assume a Secretaria de Governo de Taniguchi.

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