Curitiba - Ao sair da audiência ontem, Meire Bonfim Poza, ex-contadora de Alberto Youssef, fez questão de afirmar que colaborou espontaneamente com a Polícia Federal e com o MPF, sem fechar nenhum acordo. Ela foi ouvida ontem por cerca de uma hora na Justiça Federal, e já foi intimada a depor novamente como testemunha de acusação, mas desta vez por videoconferência, de São Paulo. "Não ofereci nenhuma moeda de troca com a PF ou a MPF. Se houver denúncia e se houverem elementos suficientes para que eu seja denunciada, vou constituir um advogado e a partir daí fazer a minha defesa. Estou realmente como testemunha, e tudo o que tinha para falar para auxiliar a PF também já foi dito", disse.
Meire ainda afirmou que não sabe se, além de Paulo Roberto Costa, Youssef tinha outros contatos dentro da estatal petrolífera ou se mantinha alguma relação com outros políticos além daqueles citados em reportagem publicada na revista Veja, no mês passado. A matéria cita pelo menos cinco parlamentares que, segundo ela, receberiam pagamento em dinheiro vivo, diretamente das mãos do doleiro, ou por meio de depósitos bancários: além de André Vargas (sem partido-PR), também foram mencionados Luiz Argôlo (SD-BA), Cândido Vaccarezza (PT-SP), Mário Negromonte (PP-BA) e o senador Fernando Collor (PTB-AL). Os políticos negam. Na reportagem, Meire ainda lembra que entre as empreiteiras envolvidas estariam a OAS e a Camargo Corrêa.
"Ele pode até ter tido outros contatos na Petrobras e também com outros políticos. Mas nunca presenciei, ele apenas comentava sobre isso. Inclusive falei sobre isso no Conselho de Ética da Câmara. Nós achávamos que ele era um polvo, cheio de tentáculos e concluímos que ele, na verdade, é uma centopeia. Tem um pezinho dele em cada lugar, realmente. Mas ele não levava todo mundo para os negócios dele, acabava segregando muito, então não dá para saber todo mundo com quem ele tinha contato", afirmou.
Segundo ela, cerca de 600 documentos e notas fiscais referentes à empresa GFD Investimentos foram apreendidos pela PF no mês de julho. Meire lembra que sua colaboração foi identificar cada documento encontrado. "Cada documento conta uma história e fiquei depondo por diversos dias. A gente (da GFD Investimentos) já sabia que o Youssef tinha vários contatos, mas não pessoas diferentes na empresa. Mesmo porque ele só se mudou para a GFD em 2013. Antes ele ficava em seu escritório, era algo separado. Somente a partir daí que começou a ter um movimento intenso na empresa, mas eram reuniões fechadas. Boa parte das pessoas eu nem conhecia. Só mantive contato e emiti notas fiscais para aqueles que já foram expostos, e que todo mundo sabe quem são", completou. (R.C.J.)

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