Tucanos vão negociar em Brasília
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quarta-feira, 29 de agosto de 2001
Maria Duarte<BR>De Curitiba 
Os tucanos paranaenses vão a Brasília hoje para tirar a limpo a dissolução do diretório estadual do PSDB e a possível entrada de políticos ligados ao governador Jaime Lerner (PFL) no partido. A comitiva será composta por deputados estaduais e federais, prefeitos e integrantes da executiva estadual. Eles tomam café da manhã com o senador Alvaro Dias que enfrenta processo de expulsão do partido por ter assinado requerimento de criação da CPI da Corrupção , e depois vão se encontrar com a cúpula nacional.
Os tucanos querem saber o porquê da ofensiva contra a direção paranaense, nas mãos de quem o partido vai ficar, e até que ponto a permanência de Alvaro ainda seria viável. Como o prazo para novas filiações acaba em cerca de um mês, os tucanos e políticos interessados em mudar de partido estão ansiosos por uma solução para o caso.
No Paraná, o partido está sob o comando do deputado federal Luiz Carlos Hauly, que assumiu há cerca de dois meses com a renúncia de Alvaro.
O secretário-geral no Estado, Haroldo Ferreira, e o deputado federal Max Rosenmann, pretendem se encontrar com o presidente nacional, deputado José Anibal (SP), e o vice, Alberto Goldmann. Querem falar ainda com o secretário-geral do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Aloysio Nunes Ferreira.
A expulsão de Alvaro teria sido solicitada pelo presidente. José Anibal alega que a iniciativa foi dele. No entanto, o deputado federal Affonso Camargo também apoiou a CPI da Corrupção e ingressou no PSDB.
O PSDB pode se tornar o grande aliado do grupo lernerista nas eleições do próximo ano, caso a cúpula nacional tenha sucesso na retirada dos alvaristas. Em 1998, PFL e PSDB se uniram na disputa.
Um dos nomes que surgem como candidatos à entrada no partido é o do presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PTB). Além dele, o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), e seu vice, Beto Richa (PTB), podem optar pela legenda. A mudança de comando no PSDB interessa ao ex-governador José Richa (pai de Beto) e ao presidente da Itaipu, Euclides Scalco. Richa chegou a defender a candidatura de Scalco ao governo pelo PSDB. O presidente de Itaipu divulgou nota oficial afirmando que não pretende se candidatar ao governo.
Luiz Carlos Hauly quer conversar com Anibal, em busca de um entendimento. A direção estadual poderia recuar e aceitar o ingresso de Beto Richa no partido, visando a manutenção de alvaristas no partido ou garantindo apoio à candidatura do senador ao governo estadual. Anibal trabalha para que José Richa e Euclides Scalco voltem ao ninho tucano. Max Rosenmann disse que Hermas Brandão, por exemplo, não viria ''dominar'', e sim ''engrandecer'' a sigla.


