São Paulo - Afirmando ‘‘ter acabado o período do observação’’ do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o PSDB iniciará hoje uma campanha no rádio e na TV contra o governo federal. A primeira propaganda, com 30 segundos de duração, será veiculada hoje, com críticas aos altos índices de desemprego no País. Depois, a partir do dia 14 até o fim de agosto, serão exibidos ‘‘spots’’ diários com 8 a 10 inserções no rádio e na televisão.
  ‘‘Eles [petistas] falam de herança maldita, que herança maldita? Alguém acabou de dizer ali, um companheiro nosso, que a herança maldita que o Fernando Henrique [Cardoso, ex-presidente] deixou foi o Lula’’, afirmou o presidente nacional do partido, José Aníbal. Segundo os tucanos, as próximas propagandas irão comparar as ‘‘conquistas’’ da gestão FHC (1995-2002) com os ‘‘deprimentes’’ sete meses de governo Lula. Dirão ainda que a administração petista tem ‘‘agenda velha’’ e naufraga na condução da política econômica. ‘‘O governo tem que entender que a agenda velha passou do ponto. É hora de reduzir os juros e retomar o emprego.’’
  Durante o evento, o líder tucano no Senado, Arthur Virgílio (AM), fez duras críticas ao governo. ‘‘É mais fácil um macaco dar uma conferência em Harvard [universidade londrina] e ser aplaudido como um inventor de alguma coisa essencial em ciência social do que o PT voltar ao poder se continuar num ritmo claudicante, frouxo, vacilante e prepotente, que vem de uma ignorância política e administrativa’’, disse.
  O senador também foi áspero ao comentar a onda de invasões do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) pelo país, relacionando-a com a condução da política agrária pelo governo. ‘‘A qualquer hora, se for para invadir o que é improdutivo, onde não se trabalha, vão acabar invadindo o gabinete do Lula.’’
  O ex-senador e candidato derrotado do PSDB à Presidência José Serra disse ontem que as promessas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez na campanha eleitoral ainda não foram cumpridas e que a situação do país ‘‘é muito difícil’’. Serra afirmou, porém, que o PSDB não irá adotar o lema do ‘‘quanto pior, melhor’’, usado, segundo ele, pelo PT contra o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Não queremos botar fogo na casa, mas, ao contrário, queremos ajudar o Brasil a reencontrar o seu caminho do desenvolvimento e do emprego’’, disse.
  Segundo Serra, o papel de oposição construtiva está sendo inaugurado no Brasil pelos tucanos. ‘‘O PSDB está renovando o procedimento de oposição no Brasil. Não é como no passado, em que a oposição, inclusive no governo FHC, jogava no quanto pior, melhor. Da minha boca nunca vai sair nenhuma comemoração porque o desemprego está aumentando’’, disse.

mockup