Curitiba Os rumores de que os senadores Alvaro Dias e Osmar Dias poderiam, depois das eleições do ano passado, deixar o PDT para retornar ao PSDB, partido do qual se desfiliaram em 2001, mexeram com os tucanos paranaenses. O ensaio dos irmãos, sobretudo o de Alvaro, somado às eleições municipais no ano que vem, tem acelerado o processo de substituição da cúpula do PSDB no Paraná, que desde a saída dos senadores vem sendo presidida de forma provisória pelo ex-deputado federal Basílio Villani.
O nome do ex-secretário-geral do presidente Fernando Henrique Cardoso Euclides Scalco (PSDB) tem sido cogitado para assumir a presidência do partido. A indicação de Scalco seria uma maneira de barrar definitivamente a volta de Alvaro e Osmar ao ninho tucano, defendida por alguns políticos ligados aos senadores que permaneceram no PSDB mesmo com a saída dos irmãos. Scalco, que ajudou a fundar o PSDB, foi um dos opositores mais veementes à entrada de Alvaro na sigla. Em 1996, Scalco chegou a deixar a sigla após ser voto vencido na tentativa de evitar a adesão de Alvaro ao PSDB. Nas eleições passadas, Scalco fez campanha contra Alvaro.
Scalco nega que tenha interesse em disputar a presidência do PSDB no momento, mas não descarta a possibilidade totalmente. ''Não existe nenhum trabalho no sentido de que eu assuma a presidência do partido. Voltei a me filiar ao PSDB apenas no ano passado, e para assumir uma função administrativa em Brasília, sem me envolver nas questões estaduais. A possibilidade de assumir a presidência (do partido) dependeria de muita conversa com todos os companheiros'', disse Scalco à Folha.
Um dos que apóiam o retorno de Scalco às movimentações políticas do PSDB local é o vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa, filho de José Richa. ''Eu sou um dos que mais tem estimulado o Scalco a voltar à vida pública. Seria um grande ganho para a política do País, e maior ainda pelo PSDB. A experiência e a credibilidade que ele construiu ao longo dos anos creditam ele a assumir a presidência do partido'', defendeu Beto Richa. Quanto à possibilidade do retorno de Alvaro Dias ao PSDB, o vice-prefeito foi enfático. ''Não vejo o mínimo ganho para o partido com essa mudança.''
O deputado federal Luiz Carlos Hauly também não acredita mais no ingresso de Alvaro e Osmar no PSDB. ''Até onde eu sei, eles estão muito bem no PDT, que é partido da base de apoio do presidente Lula'', avaliou. Hauly, que também é cotado para assumir a presidência estadual do PSDB, defendeu que a sucessão de Villani seja discutida com mais calma. ''Só precisamos decidir isso em novembro. Até lá, vamos discutindo eu, o Beto, o próprio Basílio, o Hermas Brandão (presidente da Assembléia Legislativa) e o Affonso Camargo (deputado federal). O nome deve sair de um desses. Até agora, o nome do Scalco não foi citado nas conversas'', garantiu Hauly.

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