Tucanos tentam prorrogar mandato no PR
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de julho de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
A direção estadual do PSDB está pleiteando junto ao diretório nacional em Brasília uma prorrogação de mandato da atual executiva que pode assegurar hegemonia isolada do grupo tucano ligado ao presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias, no partido. Ao invés do dia 19 de dezembro, a cúpula quer que a convenção estadual só ocorra em 8 de março do ano que vem, quatro meses depois dos encontros municipais.
A leitura que se faz, nos meios políticos, é que até lá ficariam assegurados a todos os delegados recém-filiados pelo grupo do ex-governador e do presidente estadual Hélio Duque o direito a voto no encontro. O novo estatuto do PSDB, aprovado pelo diretório nacional, exige como pré-requisito para participação dos delegados, pelo menos seis meses de filiação. O comando atual trabalha por novas filiações e na reorganização da sigla.
Na avaliação da ala dissidente, contrária ao atual comando, se a executiva nacional do PSDB autorizar a dilação, os alvaristas garantem maioria fácil no partido. O grupo, integrado por Beto Richa, Cesar Silvestri, Ricardo Chab, Albanor Gomes, Genor Cima, Teobaldo Machado e José Boiko, teme ainda que a prorrogação de mandato sirva como retaliação contra o grupo, que responde hoje um processo disciplinar por ter apoiado o ingresso, mal-sucedido, do governador Jaime Lerner no partido.
Os dissidentes reclamam da super-proteção da executiva nacional com o grupo de Álvaro e acusam os adversários de estarem forçando auto-dissoluções de diretórios. Cornélio Procópio, Quedas do Iguaçu e Santa Mariana seriam alguns exemplos. Eles alegam que o comando atual forjou a assinatura de delegado para garantir a dissolução.
A possibilidade de prorrogação de mandato de Duque apressou ainda mais os planos partidários do deputado Beto Richa, que não descarta uma revoada em grupo para outra sigla. A situação está bastante difícil, reclama o deputado que resiste à idéia de se filiar no PFL, com o grupo de Lerner. Beto Richa estuda com outros parlamentares a possibilidade de assumir um partido menor, criando nova bancada.


