Tucanos também exploram fala de Requião
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quinta-feira, 16 de setembro de 2004
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A campanha do candidato a prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), aderiu ao discurso de seu adversário do PFL, Osmar Bertoldi, e também passou a explorar a fala do governador Roberto Requião (PMDB) durante showmício em apoio ao candidato do PT, Ângelo Vanhoni (PT), na semana passada. Assim como os pefelistas, os tucanos interpretaram que Requião condicionou a integração da segurança na cidade, entre Município e Estado, à vitória de Vanhoni, seu candidato na sucessão de Cassio Taniguchi (PFL).
O deputado federal Gustavo Fruet, que recentemente se desfiliou do PMDB para ficar sem partido durante a campanha, foi o porta-voz das críticas dos tucanos a Requião. ''Isso é chantagem'', foi o primeiro comentário de Fruet sobre o assunto. O deputado relembrou que ''quando Requião foi candidato a prefeito, lá atrás, sofreu esse tipo de pressão porque diziam que se ele não fosse do mesmo partido do presidente da República, Curitiba não ia ter nenhum tipo de apoio. E se provou no governo que isso não pode acontecer''. Depois de falar de colaborações suas com a Prefeitura de Curitiba, mesmo sendo da oposição, Fruet afirmou que ''o povo não tem partido e quando a gente está no governo o nosso partido é o povo''.
Fruet, que foi escanteado pelo PMDB da disputa pela prefeitura (o partido decidiu apoiar Vanhoni), finalizou sua participação no programa de Beto dizendo que não se pode permitir isso porque é chantagem (novamente) e terrorismo. ''O Brasil não aceita mais esse tipo de prática. É bom para o Brasil que pessoas de partidos diferentes estejam na política, para que ninguém fique com o controle absoluto, senão vira autoritarismo. É por isso que esta é mais uma razão para o Beto ser o prefeito de Curitiba.''
De olho nas movimentações do PSDB, o PFL decidiu reforçar sua estratégia, de explorar a fala do governador na tentativa de alavancar a candidatura de Bertoldi. O partido entrou ontem com mais uma medida judicial. Desta vez na Justiça Comum, junto à Vara da Fazenda Pública de Curitiba pedindo informações ao governador. No início desta semana entrou com interpelações alegando abuso de autoridade de Requião e, consequente, favorecimento de Vanhoni.
Dentre outros questionamentos, o PFL quer saber se Requião nega as afirmações feitas no showmício realizado no Centro Cívico: ''O curitibano tem duas opções nesta eleição: somar ou dividir. E votar em Vanhoni é somar. O Vanhoni pensa como eu, enquanto os outros separam Curitiba do governo estadual''. E ainda se Requião tem conhecimento de já existe convênio de integração, entre Curitiba e o Paraná, (assinado em 10 de abril de 2002), com vigência por quatro anos.
O Palácio Iguaçu voltou a responder que o governador não condicionou a integração à vitória de Vanhoni. A assessoria do governador, como tem dito nos últimos dias, alega que os candidatos adversários estão criando factóides em cima do que não aconteceu.(Colaborou Leandro Donatti)


