Tucanos recuam e rejeitam plebiscito
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quarta-feira, 15 de janeiro de 1997
Agência Estado De Brasília 
Agência EstadoTudo ou nadaO governador Mário Covas e o ministro Sergio Motta: PSDB se une a favor da reeleição e quer a votação a qualquer custo
Os seis governadores do PSDB e os cinco ministros tucanos uniram-se ontem à executiva nacional do partido para pôr abaixo a tese do plebiscito e exigir de seus aliados que votem a reeleição o mais rapidamente possível. Queremos votar a reeleição amanhã (hoje), cobrou em discurso o ministro das Comunicações, Sérgio Motta. O plebiscito levaria a um esvaziamento do Congresso que o PSDB não quer, justificou, suando muito e pedindo água, diante de um auditório lotado de tucanos.
A reunião foi para reafirmar o apoio do partido do presidente à sua reeleição, garantindo um palanque ao único governador tucano que resistia à tese, o paulista Mário Covas. Chamado a discursar em nome dos governadores do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Sergipe e Pará, Covas declarou a inabalável posição de todos em favor da reeleição para Fernando Henrique e o desejo geral de uma solução, o mais rapidamente possível.
Pior do que votar contra é deixar a Nação em suspenso, sem nenhuma decisão, argumentou o governador de São Paulo, ao lembrar que a questão está colocada independentemente de sua vontade, e tem que sair da ordem do dia pois paralisa o País. O plebiscito não está posto e eu não quero discuti-lo porque mudar de rumo agora é uma derrota para Fernando Henrique, argumentou. O plebiscito não é ruim, mas não foi o caminho escolhido; a hora é de votar, completou Covas.
O puxão de orelha nos aliados do PMDB em crise com o governo foi inevitável. Mesmo na posição de bombeiro, o presidente do PSDB, senador Teotônio Vilela Filho (AL), lembrou que reeleição não é prorrogação compulsória de mandato. O mandato popular não pode ser amesquinhado como moeda de troca e muito menos prostituído como arma de extorsões, advertiu. Nunca defendemos reeleição a qualquer custo e o partido não faz barganha, completou o ministro Motta.
O plebiscito não
é ruim, mas não foi
o caminho escolhido;
é hora de votar
Os governadores e os dirigentes do PSDB chegaram a Brasília na véspera, para um jantar político com o presidente no Palácio da Alvorada. A conversa começou por um relato do presidente sobre a novela da crise com o PMDB. Eu custo a esquentar o motor, mas quando esquento..., comentou Fernando Henrique, ao se revelar chocado com o resultado da convenção do PMDB, contra a reeleição. Disse que reconhece no PMDB um aliado valioso, mas que manterá a firmeza. Ele não pode nem quer recuar, avaliou um dos presentes, com o apoio geral dos governadores.
O mais solidário à firmeza do presidente com o PMDB foi Mário Covas, convencido de que isso vai balizar o relacionamento do governo com todos os aliados. Os governadores aconselharam Fernando Henrique a apressar a decisão do PMDB na comissão especial e a não permitir que a emenda fique em banho-maria mais de uma semana, sem ir a voto no plenário. A opinião geral foi de que a demora pode sugerir uma negociação imoral e contaminar a opinião pública contra o presidente.
Foi neste contexto que se reavaliou a oportunidade do plebiscito, apontado como o trunfo do governo contra a resistência do PMDB a votar logo a emenda. É preciso avaliar a oportunidade da nova alternativa com cautela, incluindo aí os prazos, para não correr o risco de paralisar o governo ainda por mais tempo, comentou um líder tucano.
Ao final da reunião da executiva nacional, os dirigentes e os governadores do partido saíram em caravana rumo ao Palácio do Planalto para entregar ao presidente uma carta aberta do PSDB em apoio à reeleição.


