Curitiba - Tucanos paranaenses saíram ontem em peso na defesa do governador Beto Richa (PSDB), sobre o suposto encontro que teria ocorrido entre ele e pessoas ligadas ao grupo do bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, pouco depois das eleições de 2010. A acusação partiu do senador Roberto Requião (PMDB), que mostrou troca de e-mails que foram interceptados pela Polícia Federal (PF) e que davam a entender o interesse do grupo de retomar os negócios no Paraná. Os tucanos lembraram então que, em 2003 e 2004, teria sido Requião (então governador do Paraná) que poderia ter recebido o próprio Cachoeira no Palácio Iguaçu, sede oficial do Executivo paranaense. Foi o bastante para que o deputado federal Fernando Francischini (PSDB), que deve integrar a CPI para investigar conexões entre Cachoeira e agentes públicos, dissesse que pretende convocar Requião para depor.
Foi o troco dado a Requião por ter sugerido, um dia antes, que as conversas interceptadas pela PF deveriam bastar para que Beto fosse até a CPI para prestar esclarecimentos. E o dia transcorreu com acusações de lado a lado sobre supostas ligações de um grupo político ou de outro com o escândalo do caso Cachoeira. Tudo pelas redes sociais, principalmente o Twitter, e por e-mails. O presidente estadual do PSDB e presidente da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, Valdir Rossoni, lembrou que, quando estava na bancada de oposição, em 2004, apresentou um requerimento questionando a Casa Civil sobre qual data Cachoeira esteve no Palácio Iguaçu, por quem foi recepcionado, com quem esteve reunido e qual o assunto tratado. Ontem, Rossoni escreveu no Twitter: ''Nem o @requiaopmdb nem ninguém deu qualquer informação sobre a visita de Cachoeira ao Palácio Iguaçu em 2004. Por que será?''.
Mas o principal bate-boca do dia foi entre Requião e o secretário estadual da Fazenda, Luiz Carlos Hauly (PSDB), com sucessivas mensagens acusatórias pelo Twitter. Do lado de Requião, os aliados Rafael Greca e o deputado federal João Arruda também se manifestaram, tudo pela rede social na internet. Sem perder a oportunidade, Requião voltou a ocupar a tribuna do Senado ontem para falar sobre o caso Cachoeira. ''Pisei o rabo do gato, mas o bichano está miando por várias bocas'', referindo-se à reação que recebeu dos tucanos.
Requião também falou da ocasião em que Cachoeira foi até seu gabinete no Senado, no seu primeiro mandato. ''Numa tarde, recebi telefonema de um senador, que me disse que estava com um amigo e gostaria de me fazer uma visita. Ora, senador, companheiro de bancada, por que não me visitaria? E esse senador foi ao meu gabinete e me apresentou um sujeito: 'Olha, estou aqui com um empresário do jogo, o Sr. Carlos Cachoeira'. E eu disse ao senador: 'Se você tivesse me dito com quem vinha, eu não o teria recebido'. Eu toquei esse sujeito do meu gabinete'', diz Requião.

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