A cúpula do PSDB reuniu-se ontem à tarde em Brasília para definir a posição do partido no segundo mandato do governo Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Vamos ter de, uma vez por todas, assumir um comportamento de partido que está no governo’’, traduziu o governador carioca Marcello Alencar. ‘‘Estar no governo impõe sacrifícios, mas também precisa trazer poder e voz para o partido que está liderando.’’
Para a cúpula tucana, comportar-se como partido que está no governo é ter ‘‘mais respeito e união’’ da base aliada e ter ‘‘mais voz’’ nessa nova administração do PSDB. O governador carioca afirmou ainda que, mesmo saindo do governo, defende uma ‘‘aproximação’’ maior dos governadores tucanos com o presidente. ‘‘Aos congressistas é mais fácil pela proximidade, mas os governadores aliados têm de vir mais a Brasília conversar com o presidente’’, considerou.
A reunião do tucanato começou às 15 horas na casa do senador Teotônio Vilela Filho (AL), o presidente do partido. Além de Alencar, participaram os governadores de São Paulo, Mário Covas, do Ceará, Tasso Jereissati e do Mato Grosso, Dante de Oliveira. Ainda na reunião estavam os líderes no Congresso e os ministros da Educação, Paulo Renato, e da Saúde, José Serra.
Oficialmente, a reunião foi qualificada como ‘‘um chᒒ, pelo líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (DF), um encontro para discutir o desempenho do partido depois das eleições. Realizada em meio ao desfecho do escândalo do grampo no BNDES, a cúpula tucana procurou dissociar o encontro da queda de ministros do governo. ‘‘A Executiva nacional não se reúne há sete meses e já era hora’’, desconversou Arruda. Um dos tucanos chegou a brincar que, para evitar grampos telefônicos, as reuniões mais seguras são as pessoais, mesmo que as lideranças tenham de sair de seus Estados para o encontro.
Outro motivo para o chá dos tucanos era obter um consenso na disposição de pedir ao presidente Fernando Henrique Cardoso que mantenha as indicações tucanas para os cargos vagos do Ministério das Comunicações, da presidência do BNDES e da Câmara de Comércio Exterior (Camex), além do novo ministério a ser criado, da Produção; cobiçados pelos outros partidos da sustentação do governo.
No PFL, já se fala da indicação, para o BNDES, do ex-secretário de Finanças da Bahia, Alberto Tourinho, amigo e preferido de ACM, presidente do Senado.
Para Marcello Alencar o PSDB tem sido ‘‘lento em agir’’, dando como exemplo a queda dos ministros das Comunicações, dos presidentes do BNDES e da Camex. ‘‘Nós nos manifestamos, mas a nossa ação se limitou a isso, sendo que poderíamos ter nos mobilizado mais rápido e evitar essa perda’’, disse. De acordo com o governador carioca, a perda foi grande no staff técnico do governo e, ‘‘infelizmente’’, foi gerada por ‘‘transações’’ políticas.Ed Ferreira/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)RevoadaPaulo Renato (E), cumprimenta Marcello Alencar ao desembarcarem em Brasília para a reunião tucanaLiége Albuquerque
Agência Estado

mockup