Tucanos querem Álvaro candidato
O PSDB vai para convenção hoje dividido. O racha se evidenciou ontem quando as lideranças do partido tentaram fechar a chapa que vai concorrer as eleições deste ano. O ex-governador Álvaro Dias (PSDB) foi pressionado pela cúpula tucana a lançar seu nome ao governo e não seguir a orientação dos articuladores da campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), de concorrer ao Senado, firmando assim acordo branco com o governador Jaime Lerner (PFL). A convenção que começa às 9 horas, no plenário da Assembléia Legislativa, pode arrastar a definição do PSDB para até a meia-noite de hoje, de acordo com alguns especialistas em Direito Eleitoral; ou até o próximo dia 5, prazo final para o registro de candidaturas, como entendem outras correntes.
Os tucanos adentraram a noite reunidos no Hotel Bourbon, em Curitiba. As conversas iniciaram por volta das 18 horas, depois de uma manhã e tarde inteiras de discussões emperradas e amarradas. O encontro terminou por volta das 21 horas, sem definição. O senador Osmar Dias e o deputado federal Luiz Carlos Hauly lideraram as articulações que empurravam o ex-governador para outra direção. Até ontem, Álvaro trabalhava por uma candidatura ao Senado, com a garantia de não ter concorrente algum no PFL e PTB. No domingo, o ex-governador conversou com Lerner, que foi até a sua casa, em Curitiba. Ambos teriam manifestado disposição em atender o pedido do presidente Fernando Henrique, abrindo mão de candidaturas na majoritária. Osmar e Hauly discordaram da fórmula de Brasília, que afasta Álvaro e Lerner de um confronto eleitoral em outubro. O eleitor não vai entender esta história, protestava o senador.
O racha no PSDB compromete o fechamento da chapa do governador Jaime Lerner, que aguarda um posicionamento de Álvaro para agir. A crise interna tucana abriu ainda espaço para uma aproximação com o PMDB, que já havia desistido de firmar aliança. O candidato do partido ao governo, senador Roberto Requião (PMDB), enviou emissários ontem, na reunião no Bourbon, para sondar quais serão os próximos passos do PSDB e quais as disposições de se selar um acordo formal. Nas próximas horas estamos buscando entendimentos com o PMDB, PPB e PDT, informou Gabardo. O dirigente confirmou a tentativa de interferência do presidente nos rumos do PFL e do PSDB, partidos que lhe emprestam apoio no Estado. Mas estamos nos sentindo desobrigados de qualquer coisa. A situação fugiu do controle do governador Jaime Lerner do outro lado. Estão preferindo dar espaço para o Aníbal, observou , numa referência à estratégia do presidente da Assembléia, deputado Aníbal Khury (PFL), de lançar a chapa Lerner, governo; o ex-governador Paulo Pimentel, de vice; e a vice-governadora Emília Belinati, ao Senado.
Qualquer mudança de rumo do PSDB dependia, no entanto, de uma manifestação do presidente. Até às 21 horas de ontem, o ex-governador Alvaro Dias tentava um contato por telefone com Fernando Henrique em Brasília. Segundo Gabardo, o ex-governador daria um panorama da situação e manifestaria a resistência das demais lideranças tucanas em assumir qualquer entendimento, mesmo que informal, com o PFL de Lerner. Álvaro aguardava uma interferência nacional que pudesse clarear sua decisão, sem acentuar o racha tucano. (L.D.)





