Os secretários da Indústria e Comércio, Nelson Justus (PTB), e da Agricultura, Hermas Brandão (PTB), intensificam nesse final de semana o ‘assédio partidário’ aos deputados tucanos que ameaçam uma ‘revoada’ para se alinhar oficialmente ao grupo político do governador Jaime Lerner (PFL). Justus e Brandão almoçaram ontem em Guarapuava com Beto Richa e o líder da bancada do PSDB na Assembléia, Cesar Silvestri.
Tentaram a todo custo garantir desde já a filiação dos parlamentares ou ao PFL, PTB ou PSB. Mas saíram da churrascada sem nenhuma garantia. Silvestri alega que só sai do ninho se o prefeito de Guarapuava, Vitor Hugo Burko, o seguir. O prefeito não quis dar nenhuma garantia. Tanto ele quanto Silvestri são adversários do deputado Fernando Carli e do presidente do Detran, Cesar Franco, que acompanham a decisão de Lerner.
Beto Richa pediu um tempo para pensar. Ele negocia também com o presidente da Assembléia Aníbal Khury sua filiação no PFL. O filho do ex-senador José Richa já é tido como o 17 º deputado da bancada. Mais que Silvestri, Richa estaria certo da decisão e descontente com os destinos do PSDB, que atualmente é comandado pelo presidente da Telepar, Álvaro Dias.
Justus e Brandão devem tentar contato ainda com Albanor Gomes, Ricardo Chab e Carlos Simões, que manifestaram interesse na proposta em assinar ficha no PTB. Os tucanos temem que o PSDB não lance candidato próprio, o que põe em risco a reeleição no ano que vem. Fazer oposição do governador Jaime Lerner também é um complicador.
Simões já teria avisado ao comando do PTB que só se manifesta sobre o seu destino partidário mais tarde. Ele não está disposto a dividir as atenções e quer uma cerimônia exclusiva e com todas as pompas. O deputado mantém conversas ainda com o PPB. Assim como Edson Silva Lino, que, na última quarta-feira, não negou que esteja trocando de sigla.
Ricardo Chab não descartou ainda o PMDB, apesar de estar com um pé no PTB. Alguns peemedebistas confidenciaram que ele quer ter a garantia de que o senador Roberto Requião será o candidato do partido ao governo. No entendimento do deputado, o candidato majoritário é o principal puxador de votos e Requião lhe asseguraria a reeleição.
Antonio Anibelli, o sétimo tucano que ensaia a ‘revoada’ que pode deixar somente José Maria Ferreira e Sérgio Spada no PSDB, deve sair por motivo diverso. Não quer ficar num grupo que de venha a se alinhar com Lerner em 98. Anibelli teme que Álvaro Dias faça uma composição para ser o candidato ao Senado de uma possível aliança com Lerner, seu adversário.
O presidente da Telepar não quis comentar ontem as estratégias que está usando para estancar a debandada tucana. Passou o dia no interior do Estado, com o celular desligado. A sua assessoria adiantou que o ex-governador não se pronunciaria sobre o assunto. No início da semana, Álvaro prometeu aos possíveis dissidentes que o PSDB lança candidato próprio ao governo no ano que vem.

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