Brasília - Após intensa disputa interna, o PSDB realizou ontem sua convenção nacional para oficializar a candidatura de José Serra à Presidência. O evento ocorreu em ritmo de forró. Não foi por acaso: o tucano começará a campanha por Pernambuco, Estado no qual quatro dos cinco partidos governistas, PSDB, PMDB, PFL e PPB, estão juntos na eleição.
O Nordeste também é a região em que a candidatura Serra é mais vulnerável, de acordo com as pesquisas. Serra ainda espera juntar esses partidos na maioria dos Estados. Ele estima que já dispõe do apoio informal de mais de 70% do PFL, apesar de o presidente do partido, senador licenciado Jorge Bornhausen (SC), contestar esse percentual.
Se for para o segundo turno com o petista Luiz Inácio Lula da Silva, o tucano tem como certa a adesão de todo o PFL. ‘‘Estamos construindo a convergência em torno de uma candidatura e a maioria para governar’’, afirmou o presidente do PSDB, deputado José Aníbal (SP).
Ainda na condição de pré-candidato, Serra chegou à convenção às 12h13, acompanhado da mulher, Mônica. O presidente Fernando Henrique Cardoso chegou logo depois com a mulher, Ruth. A viúva do ministro Sérgio Motta, Wilma, ganhou lugar de destaque no palanque.
Cerca de 10 mil pessoas, entre convencionais e militantes, participaram da convenção tucana. Além do show de forró do grupo ‘‘Falamansa’’, que abriu a parte festiva, houve ainda apresentações dos sertanejos Leonardo e da dupla Pedro e Tiago. A convenção também reuniu antigos ministros do governo FHC.
O ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas, em franca ofensiva contra o Ministério Público Federal, circulava com desenvoltura entre os convencionais. Clóvis Carvalho, ex-chefe da Casa Civil, também apareceu, assim como antigos desafetos políticos de Serra, como o ministro Paulo Renato Souza (Educação) e o ex-governador do Ceará Tasso Jereissati.
‘‘O partido chega unido em torno de Serra. É o melhor candidato. Tem conhecimento de economia e sensibilidade social’’, disse Paulo Renato. ‘‘Agora é hora de o Serra ir para a rua fazer campanha. Vou me empenhar na campanha’’, afirmou Tasso.
Embora o comando de campanha de Serra não conte com o empenho de Tasso no Ceará, por acreditar que ele apoiará o amigo Ciro Gomes (PPS), o ex-governador fez juras de fidelidade ao candidato do PSDB: ‘‘O partido está coeso em torno de Serra. Divergências fazem parte do processo eleitoral, da democracia’’.

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