Tucanos montam defesa da imagem
Depois de passar a semana tentando explicar a conduta do ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, no processo de privatização do Sistema Telebrás, o PSDB decidiu reagir de maneira enfática contra a oposição e setores da base governista, para defender sua própria imagem. A ofensiva inclui a figura do presidente Fernando Henrique Cardoso, que está sendo apontado como maior prejudicado no episódio que envolveu alguns dos mais prósperos tucanos deste governo.
Dirigentes do partido começaram a se mobilizar no fim de semana para montar em Brasília, a partir de amanhã, uma manifestação à altura dos últimos acontecimentos que respingaram no PSDB. Vamos denunciar o farisaísmo e a hipocrisia, afirmou o deputado Roberto Brant (PSDB-MG). Nós temos de defender a honra de companheiros que agiram no estrito interesse público e passam a ser condenados por alguns aliados que querem tirar partido desse episódio, acrescentou ele.
Em São Paulo, na sexta-feira, os deputados Alberto Goldman (PSDB-SP) e José Aníbal (PSDB-SP) começaram a traçar uma estratégia para a ofensiva tucana nessa semana. Desafio qualquer outro partido para saber se teria a mesma transparência e licitude que o PSDB teve nesse processo, afirmou o deputado Aníbal. Temos de dar satisfação à sociedade, mas não vamos ficar refém dessa escória que está por detrás de gravações clandestinas de conversas telefônicas.
Os tucanos estão reagindo não só ao desgaste político sofrido pelo ministro Mendonça de Barros com o episódio dos grampos telefônicos, mas também ao envolvimento de cardeais do partido nas denúncias que tomaram conta do cenário político nas últimas semanas. A exposição de fotografias do governador Mário Covas, do ministro da Saúde, José Serra, do ex-ministro Sérgio Motta e do próprio presidente da República, montadas no meio de um alvo, na capa de uma revista esta semana, piorou o humor dos tucanos. Nós somos pessoas honestas, e um dos maiores créditos que temos hoje no País é um presidente honesto e limpo, reagiu José Aníbal.
A estratégia inclui, obviamente, a defesa do ministro Mendonça de Barros. O ministro não está enfraquecido, pelo contrário, avaliamos que ele conduziu muito bem o depoimento, reforçou o deputado tucano Arnaldo Madeira (SP), líder do governo na Câmara. O deputado Brant admite que o nome de Mendonça de Barros ficou afetado neste episódio, para ocupar o novo Ministério da Produção anunciado por Fernando Henrique. Mas afirmou que o ministro tem a solidariedade do partido. Se o PSDB tiver o mínimo de honra, nós vamos insistir com o presidente Fernando Henrique que Mendonça de Barros é o nome ideal para o Ministério da Produção, sustentou.
Os tucanos alegam que o bombardeio a que foram submetidos nas últimas semanas tem a sombra de interesses políticos e econômicos. É por isso que os dirigentes do partido estão tomando a iniciativa de procurar aliados de outros partidos para enfatizar que quem perde com essa briga de poder não é o PSDB, mas o próprio presidente Fernando Henrique na condução do governo. Essa posição de alguns aliados é contra o PSDB, mas acaba enfraquecendo o presidente da República, afirmou um tucano com influência no Palácio do Planalto.
A briga entre aliados por espaço no governo não é novidade para ninguém. O episódio mostra que a base aliada está jogando duro e que há uma luta por espaço no segundo governo, avalia o líder do PT, deputado Marcelo Deda (SE). E são antigos aliados que revelam a disposição para lutar para reduzir o espaço do PSDB dentro do governo.
Os outros partidos não podem ser caudatários do PSDB, disparou um aliado com passagens pelo Palácio do Planalto. O PSDB, que sempre teve uma visão hegemônica para ocupar mais espaços no governo em detrimento dos aliados, agora tem a chance de voltar à realidade, atacou.Arquivo FolhaJosé Aníbal: Somos honestos, o presidente Fernando Henrique é honestoCláudia Carneiro
Agência Estado





