O PSDB do senador Álvaro Dias vai manter a política de boa vizinhança com o PFL do governador Jaime Lerner e com o PMDB do senador Roberto Requião. A estratégia, adotada nas últimas eleições, será estendida por tempo indeterminado. Mais que a disputa municipal do ano 2000, os tucanos querem se credenciar para a sucessão de Lerner, em 2002. O anúncio foi feito anteontem em Curitiba, durante um encontro de Álvaro com a executiva estadual. O senador reassume o comando estadual do PSDB no próximo dia 12, numa reunião ampliada do diretório.
‘‘Continuaremos com a estratégia de campanha e ficaremos como observadores do processo’’, disse. ‘‘Hoje, convivo bem com Lerner e com Requião. Com o governador, colaboro no campo administrativo. E com Requião, a relação é de cordialidade. Nós três precisamos ter uma relação civilizada, com divergências, mas civilizada’’, afirmou. No entendimento do senador, o momento não exige antecipações. ‘‘Estamos vivendo um processo de reacomodação’’, classificou referindo-se ao troca-troca de partidos. Sem fazer uma relação direta dos fatos, Álvaro afirmou que a disputa pela Prefeitura de Curitiba, em 2000, por exemplo, não será motivo para a quebra da posição.
‘‘Nesse momento não vejo possibilidades do PSDB lançar um candidato próprio’’, avaliou. Segundo Álvaro, a força eleitoral dos tucanos está concentrada no interior. ‘‘Não vamos nos meter em nenhum tipo de aventura’’, ponderou, relembrando a fracassada candidatura de Carlos Simões, hoje PTB, à Prefeitura em 92. A declaração de Álvaro é um sinal de que os tucanos podem ficar de fora da briga municipal, em algumas cidades aonde PFL e PMDB disputam votos com nomes próprios.
Na avaliação do senador, as eleições do ano 2000 não comprometem a postura de ‘‘independência’’ que o PSDB pretende manter, para consolidar o seu caminho rumo ao Palácio Iguaçu, em 2002. ‘‘São disputas localizadas, onde em algumas cidades o partido vai coligar com o governo e em outras com a oposição’’, assinalou. Para Álvaro, o mais importante é o PSDB se reestruturar, engordar suas bancadas, e trabalhar para 2002.
Na reunião de ontem, Álvaro pediu carta branca para buscar novas filiações. Os tucanos querem aumentar sua bancada na Assembléia Legislativa de seis para nove deputados. Na Câmara Federal, as costuras também estão sendo alinhavadas. Álvaro reuniu-se na quarta-feira à noite para definir uma estratégia de filiações. ‘‘Estamos conversando com três deputados. Traremos prefeitos, ex-prefeitos e ex-deputados’’, prometeu.
O PSDB tem hoje cerca de 70 prefeitos filiados. O senador não esconde sua preocupação em fortalecer a sigla, para não ficar refém do PFL como nas eleições passadas. Por pressão de Brasília, Álvaro desistiu de concorrer ao governo contra Lerner. Em troca, entrou numa disputa tranquila ao Senado, visto que o PFL que não lançou candidato a senador. O fórmula para evitar o confronto PFL-PSDB nas urnas ficou conhecida como ‘‘acordo branco’’, negado pelos tucanos.Arquivo FolhaNo muroSenador Álvaro Dias: ‘‘Com o governador, colaboro no campo administrativo. E com Requião, a relação é de cordialidadeLeandro Donatti

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