Tucanos manobram e mantém candidatura de Campos na Câmara
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quarta-feira, 05 de fevereiro de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - Apesar do esforço dos aliados do governo para conseguir a renúncia do candidato dissidente Wilson Campos (PSDB-PE), foi o próprio PSDB quem minou a possibilidade de um acordo em torno da candidatura do deputado Michel Temer (PMDB-SP), apoiado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso na disputa pela presidência da Câmara.
Pressionado por todos os lados, o candidato tucano esteve prestes a desistir, mas as lideranças do PSDB acabaram se unindo em solidariedade ao deputado Ubiratan Aguiar (PSDB-CE), indicado para a primeira-secretaria na chapa Temer. Na nova chapa articulada pelos aliados, Aguiar teria de ser sacrificado para ceder a vaga ao PFL, que por sua vez estaria deixando a vaga da primeira vice-presidência ao PSDB, ou Wilson Campos.
O primeiro sinal do recuo tucano foi dado na noite de domingo, quando o comando de campanha de Temer, composto pelo PMDB, PFL e PSDB, reuniu-se para a checagem de promessas de votos. As planilhas apontavam 320 votos confirmados a Temer. O líder do PSDB, deputado José Aníbal (SP), foi o primeiro a ponderar que não era necessário mexer na vaga destinada a Ubiratan Aguiar. No início da tarde de ontem - prazo final estipulado para o arranjo -, o vice-líder do governo, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), admitia: A essa altura, não há mais o que mexer.
No pacote de negociações para a renúncia de Wilson Campos foi cogitado também um possível acordo político regional em torno de seu filho, senador Carlos Wilson (PSDB-PE), potencial candidato ao governo de Pernambuco. Campos sofreu pressões contrárias também. O deputado João Leão (PSDB-BA) fez de tudo para evitar sua renúncia. Leão concorre à primeira-secretaria contra a chapa Temer. Os aliados do governo tentaram mais uma vez, ontem, marcar o favoritismo da candidatura Temer, num almoço oferecido ao candidato na residência do deputado Euler Ribeiro (PFL-AM). Segundo Euler, 242 deputados de vários partidos passaram pela sua residência durante o almoço, servido também a cinco ministros e dois governadores.
Numa mesa isolada das demais, o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, comemorava antecipadamente a vitória de Temer, ao lado do líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE). Temos 341 votos, mas precisamos diminuir essa conta porque o Michel não pode ter mais votos que o presidente da República, alertou Motta, referindo-se aos 336 votos dados à emenda da reeleição.
O processo de escolha do presidente na Câmara começa às 10 horas de hoje e é preciso um quórum de 257 deputados para que a votação seja iniciada. Os deputados votarão, ao mesmo tempo, no presidente e nos demais cargos da Mesa, cujas cédulas com votos são depositadas em envelopes e urnas distintas. Mas a apuração dos votos é feita separadamente. Se nenhum candidato alcançar a maioria absoluta de votos no primeiro turno, é realizado um segundo com os dois candidatos mais votados.


