O PSDB ajudou ontem o PMDB a afastar o senador José Sarney (PMDB-AP) da corrida sucessória do Senado e enfraquecer a candidatura solitária do PFL na Câmara. Um dia depois de Sarney ter divulgado uma carta, explicando que só aceitará ser candidato a presidente do Senado se for consenso entre as correntes majoritárias, para pacificar a Casa, o líder do PSDB, senador Sérgio Machado (CE), garantiu a Jader Barbalho (PMDB-PA) o voto dos 14 senadores tucanos à candidatura oficial que sair da bancada do PMDB.
O compromisso de apoio ao candidato foi entregue ontem à tarde, como retribuição à adesão do PMDB da Câmara à candidatura tucana do líder Aécio Neves (MG). ‘‘Votaremos no candidato que a bancada do PMDB escolher, sem interferir no nome, da mesma forma que não aceitamos interferência na escolha do nosso candidato na Câmara’’, resumiu Machado. Àquela altura, Jader já havia conversado com o próprio Sarney durante uma hora e encerrado o encontro com a certeza de que o ex-presidente da República não concorrerá com ele na bancada nem no plenário. O PMDB define seu candidato na terça-feira.
‘‘Se Sarney desejasse ser candidato a presidente do Senado, apresentaria seu nome à bancada do PMDB como já o fez quando concorreu com os senadores Iris Rezende (GO) e Pedro Simon (RS), vencendo ambos’’, destacou Jader, depois da conversa com o companheiro de partido. Mas o PFL continua apostando todas as suas fichas no candidato alternativo do PMDB do Senado, para criar um contraponto em favor da candidatura do líder Inocêncio Oliveira (PFL-PE), na Câmara.
Dirigentes nacionais do partido acreditam que este seria o melhor trunfo do PFL para trabalhar no racha do PMDB, que está fechado com Aécio na Câmara. ‘‘Sarney seria uma ótima âncora para mim, porque meu contraponto no Senado, hoje, é o veto a Jader’’, analisou ontem o próprio Inocêncio, revelando-se disposto a aguardar uma decisão do ex-presidente até a última hora. Ele avalia que o PFL precisa apoiar um candidato no Senado para que ele tenha um ‘‘contraponto propositivo’’, e não faça dobradinha com um veto. ‘‘A competição está desigual, porque Jader e Aécio estão desfilando juntos até nos bottons do PMDB e eu estou sozinho’’, confessou Inocêncio, bem humorado.

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