O PSDB, que tem sido forçado a abrir de espaço no Congresso em nome dos interesses do Palácio do Planalto, quer usar o mesmo argumento – o da conveniência do governo – como desculpa para disputar com os aliados do PMDB e PFL a presidência de uma das Casas do Legislativo. Como o Planalto anunciou que não quer se meter na briga entre os presidentes do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e nacional do PMDB, senador Jáder Barbalho (PA), líder do partido no Senado, em torno da sucessão do pefelista, os senadores tucanos querem tirar proveito da situação.
‘‘A melhor maneira de manter o Planalto distante desta disputa é fazer valer os interesses partidários’’, argumenta o vice-presidente do Senado, Geraldo Melo (PSDB-RN). O líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), concorda e acrescenta que a tendência da bancada do PSDB, hoje, é a de apoiar o candidato da legenda que, em contrapartida, oferecer os votos para eleger um tucano presidente de uma das Casas. ‘‘Se decidirem partidarizar esta discussão, ótimo para o governo’’, resume um ministro de Estado, ao afirmar que FHC não entrará na briga.
O movimento dos tucanos embola ainda mais a disputa protagonizada por ACM, que não admite ver Barbalho sentado na cadeira de presidente do Senado. Enquanto setores do PFL dão sinais de simpatia pela candidatura de outro peemedebista, o senador José Sarney (AP), para evitar a eleição de Barbalho, a cúpula nacional do PMDB dá o troco. Diz claramente que a eleição do líder do PFL, deputado Inocêncio Oliveira (PE), como presidente da Câmara, dependerá do comportamento de ACM e da bancada de senadores pefelistas.

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