Pode vir a esquentar a briga pela presidência da Câmara dos Deputados. Os partidos de oposição decidiram ontem apoiar o PSDB, partido do presidente Fernando Henrique Cardoso, que promete pleitear o comando daquela casa na próxima legislatura, ignorando um acordo fechado entre o PMDB e o PFL para reconduzir os atuais presidentes da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), em 99. Na avaliação dos tucanos, a eleição de uma das três maiores bancadas no Congresso os credencia à disputa da presidência da Câmara.
‘‘Se o PSDB não estiver apenas fazendo farol para conseguir mais um ministério, o PT está disposto a conversar’’, avisou o líder do partido na Câmara, Marcelo Déda (SE). ‘‘Esta é uma discussão natural no ano que vem’’, concordou o líder do PSB, deputado Alexandre Cardoso (RJ). Segundo ele, esta é uma questão matemática: se juntarem-se o PMDB e o PFL, ‘‘Antonio Carlos está reeleito, mas Temer não’’, já que na Câmara, o PSDB fez bancada maior que o PMDB. ‘‘Se a disputa for para valer, nós estamos abertos ao diálogo’’, disse Cardoso.
Embora convidem os tucanos para debater o assunto, os líderes da oposição são céticos quanto a verdadeira disposição do partido do presidente em desfazer um arranjo fechado entre dois dos principais aliados do governo. De toda forma, garantem, o eventual apoio ao candidato do PSDB dependeria de um projeto ‘‘autônomo’’ de poder na Câmara. ‘‘É preciso dar à Câmara maior autonomia diante do governo’’, explicou Alexandre Cardoso. ‘‘O ideal é uma postura independente, nem de oposição, nem de subserviência ao governo’’, acrescentou o deputado José Genoíno (PT-SP).
Enquanto os tucanos ensaiam uma candidatura, pefelistas e peemedebistas mandam sinais de que não vão abrir mão de seu espaço facilmente. O líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (BA), reiterou que ‘‘não há por que rever’’ o acordo firmado com o PFL. O líder do PFL, deputado Inocêncio Oliveira (PE), que sonha em disputar a presidência da Câmara no ano que vem, foi mais sutil. ‘‘Eu sou especialista em ganhar eleições’’, brincou hoje, ao sair da reunião de líderes em que se discutiu a pauta de votações deste final de ano. ‘‘Esta é a Casa do entendimento e da conciliação, mas se for preciso, iremos à luta.’’

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