Patrícia Zanin e Agência Estado
O vice-líder do governo na Câmara Federal e 1º secretário da executiva nacional do PSDB, deputado Luiz Carlos Hauly (PR), disse ontem que a saída de Campelo foi um ‘‘desfecho previsível’’ para o caso. ‘‘Ficou insustentável’’, disse Hauly. Para o deputado, o pedido de demissão de Campelo feito a FHC pela executiva do PSDB, teve um peso definitivo para a decisão do delegado. Hauly defendeu um cuidado redobrado do governo na nova escolha. ‘‘Vai ter de ser muito bem visto e analisado’’, considerou. Ele disse não saber quem será escolhido para a função. ‘‘Nessa altura, duvido que alguém tenha algum palpite’’.
Para o deputado Padre Roque (PT-PR), membro da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, a demissão de Campelo foi um ‘‘ato digno’’. ‘‘Ao menos o governo mostra que ainda não perdeu toda a dignidade’’, argumentou. ‘‘Não poderíamos aceitar jamais um diretor-geral da PF com essa folha corrida’’, emendou Roque, referindo-se às denúncias de prática de tortura por Campelo na década de 70. Ele depôs anteontem na CDH. ‘‘O depoimento sinalizava que Campelo não duraria mais que dois dias’’, disse.
O líder do PT na Câmara, José Genoino (SP), que se encontra em viagem pelo interior de São Paulo, disse que a demissão de Campelo foi ‘‘uma vitória da democracia e dos direitos humanos’’. A declaração de Genoino foi transmitida pelos assessores dele na Câmara, em Brasília. Segundo o deputado petista, essa vitória ‘‘não foi só da esquerda, que cumpriu o seu papel’’. Genoino considera que também ‘‘foi importante a ampliação da bandeira da defesa dos direitos humanos para que se desse um caráter suprapartiário à questão’’.

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