Tucanos declaram voto a Lula em 2º turno
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sábado, 07 de julho de 2001
Antônio Melo e Christiane Samarco Agência EstadoDe Brasília 
O pessimismo dos aliados do governo com o fraco desempenho dos presidenciáveis do PSDB nas pesquisas eleitorais aumentou esta semana com o agravamento da crise cambial e a ausência de novidades no pacote de medidas para aumentar a geração de energia, anunciado na quinta-feira. Resultado: dirigentes tucanos e até pré-candidatos do partido ao Palácio do Planalto praticam, nos bastidores, o exercício de futurologia política em que admitem não só a possibilidade de o PSDB ficar fora do segundo turno da corrida presidencial de 2002 como a de despejar votos no PT de Luiz Inácio Lula da Silva.
Nesses exercícios, o ministro presidenciável da Saúde, José Serra (PSDB), tem se referido a Lula nos bastidores como o resultado de menor risco para o governo, na eventualidade de uma derrota. Em conversas reservadas, ele avalia que, se sair vitorioso da disputa pelo Planalto, Lula acabará fazendo um governo conservador, a exemplo do que tem feito a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT).
Já o governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira (PSDB), é mais direto. Eu tenho uma posição muito clara, diz. Se a disputa final se der entre o PT e uma figura que representa o atraso, como o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), o Lula não vai precisar nem pedir o meu voto.
Serra avalia que o resultado mais perigoso da disputa presidencial, do ponto de vista da condução da economia, seria a eleição de Ciro Gomes, do PPS. Ele já confidenciou a amigos que considera Ciro arrogante e que teme seu excesso de criatividade. Mas esta não é uma opinião unânime entre os tucanos. Tanto que o governador Dante diz que, ao contrário de Itamar, se o presidenciável do PPS chegar ao segundo turno ele terá que avaliar melhor em quem votar. Neste caso, dá para pensar, arremata.
Dante já votou em Lula na eleição presidencial de 1989, assim como, diz o vice-presidente nacional do PSDB, deputado Alberto Goldman (SP), votou a grande maioria dos tucanos. A ousadia ficou por conta do líder do partido na Câmara, Jutahy Magalhães Júnior (BA), que votou duas vezes no PT, uma delas abrindo uma dissidência na Bahia para votar contra Fernando Henrique em 1994. Por isto mesmo, nas conversas reservadas ele não hesita em afirmar que não teria a menor dificuldade em votar em Lula uma terceira vez.
Vai ser a coisa mais natural do mundo se o governo não emplacar um candidato no segundo turno e escolher um nome da oposição para o Planalto, diz o líder do PPS no Senado, Paulo Hartung (ES), ele próprio um ex-tucano. Para ele, depois de tantos erros com tantas medidas impopulares como o aumento da tarifa de energia elétrica em pleno racionamento e o aumento de combustível, a única coisa que foi produtiva no governo, digna de nota, foi a mudança do discurso em relação à oposição, especialmente ao PT. Ele acredita que as palavras de FHC não foram apenas uma demonstração de civilidade política, mas o reconhecimento de que não há riscos quando a oposição já deixou claro que não haverá quebra de contratos em caso de vitória.


