Tucanos buscam acordo com Requião
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segunda-feira, 06 de julho de 1998
Leandro Donatti 
A maioria dos candidatos do PSDB à Assembléia Legislativa e à Câmara Federal está disposta a apoiar o candidato do PMDB ao governo, senador Roberto Requião. À caça de um puxador de votos que cubra o vazio deixado pelo ex-governador Álvaro Dias, um grupo de candidatos se reunirá no próximo final de semana com Requião, para selar pacto informal e pedir ao senador que o palanque do PMDB fique aberto aos tucanos. O ex-prefeito de Assis Chateaubriand, Luiz do Amaral, um dos defensores do acordo, agendou ontem a audiência para sábado, em Curitiba.
Conversa informal do senador Osmar Dias, do deputado estadual José Maria Ferreira, do prefeito de Guarapuava Victor Hugo Burko e do ex-deputado Haroldo Ferreira, todos do PSDB, com Requião e com o líder do PMDB na Assembléia Legislativa, deputado Orlando Pessuti, na semana passada, já teria garantido o avanço das negociações. O candidato do PMDB não vê problemas em dividir seu palanque, uma vez que os tucanos ficariam com a tarefa de, em troca do espaço, pedir votos para o senador, minando a intenção do governador Jaime Lerner (PFL) de reeleger-se. Requião já deixou isso claro ao afirmar que o seu palanque está aberto até para o ex-governador Álvaro Dias.
O acordo informal entre tucanos e PMDB ainda não foi digerido por alguns setores do partido, razão pela qual sua oficialização deve ocorrer somente depois da Copa, quando a campanha começa a esquentar. Os peemedebistas até entendem a situação dos tucanos, mas têm consciência de que terão de dividir um palanque que, até a semana passada, era exclusivo do PMDB e dos partidos de esquerda. O PT e o PDT também prometem resistir à idéia. A esquerda não aceita uma aproximação com o PSDB de Álvaro, considerado um dos mais fiéis representantes da política neoliberal do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no Estado.
Existem muitas chances de nos unirmos pela postura do PSDB de crítica ao governo Lerner. Nós não concordamos com o pedágio, com o Jogos da Natureza, com a privatização do Banestado, avaliou ontem o líder do PSDB na Assembléia, José Maria Ferreira. De acordo com seus cálculos e da cúpula tucana, a quase totalidade dos candidatos vai apoiar Requião para o governo e Álvaro Dias para o Senado. A resistência maior em aderir ao discurso viria de alguns candidatos à Câmara Federal. Não quero usar o termo acordo branco, porque se transformou numa palavra pejorativa. O que queremos com o PMDB é um acordo informal, assinalou.
Candidato à reeleição, Ferreira admitiu que os candidatos do PSDB estão numa situação eleitoral difícil. Nós acreditamos até o último momento que o PSDB teria candidato próprio, mas isso não ocorreu, ponderou. De acordo com cálculos internos feitos no PSDB, se Álvaro fosse candidato ao Palácio Iguaçu os tucanos elegeriam de 10 a 12 deputados estaduais e de seis a sete federais. Apoiando informalmente o senador Requião, os números ficam entre sete a oito estaduais e quatro a cinco federais. Sozinho, o PSDB teria dificuldades para eleger seis deputados estaduais e três federais, em outubro.
A movimentação dos candidatos do PSDB está sendo monitorada à distância pelo grupo do governador Jaime Lerner. Os lerneristas não acreditam numa transferência maciça de apoios, até porque o ex-governador Álvaro Dias não deve, durante a campanha, atacar o governador, a pedido do presidente Fernando Henrique.
Álvaro Dias está em Paris, onde acompanha e comenta os jogos da Copa do Mundo. Na manhã de ontem, falando à Rádio CBN de Londrina, ele ignorou a candidatura do empresário Tony Garcia ao Senado pelo PPB paranaense. Álvaro disse que não tem medo desta candidatura ou de qualquer outra.


