Salvo mudanças de última hora, a tendência para hoje em Londrina é um ‘‘bate-chapa’’ entre os tucanos Beto Scaff e Tercílio Turini para decidir quem vai ficar com a presidência da Câmara de Vereadores. A insólita disputa, marcada para depois da posse, às 18 horas, além de dividir o partido, também revela como deve ser a distribuição de forças políticas do Legislativo nos próximos quatro anos.
Beto Scaff aglutinou vereadores novos e reeleitos e formou uma chapa heterogênea. O grupo teria fechado questão na noite de quinta-feira, na casa do vereador mais antigo da Casa, Renato Araújo (PPB). No caldeirão, sobressaem nomes ligados ao prefeito cassado de Londrina Antonio Belinati (sem partido), como o do próprio Araújo – que foi líder de Belinati no Legislativo.
Se mantiver o ‘‘acordo’’, Scaff deve faturar a eleição com 13 votos. Estariam com ele, além de Araújo, Sandra Graça (PSB), Carlos Bordin (PMDB), Jamil Janene (PDT), Henrique Barros (PFL), Rubens Canizares (PHS), Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), Sidney de Souza (PTB), Flávio Vedoato (PL), Orlando Bonilha (PDT), Hélio Cardoso (PSB) e João Abussafi (PRTB).
Já Tercílio reuniu um grupo que esteve exatamente do lado oposto da trincheira, defendendo a cassação do ex-prefeito – o que só foi possível depois de muita pressão da sociedade e por ser ano eleitoral. Com ele ficaram Elza Correia (PMDB), Roberto Kanashiro (PSDB), André Vargas (PT), Márcia Lopes (PT), Paulo Arildo (PHS), Félix Ribeiro (PPS) e Leonilso Jaqueta (PMDB). Mas não estão descartadas migrações repentinas – sobretudo de quem não quer iniciar o mandato com o rótulo de belinatista.
Além de revelar a nova distribuição de forças, o pleito de hoje pode agravar a crise nos partidos. O PMDB, por exemplo, que tentou fechar com Turini, foi surpreendido com a decisão de Bordin em compor com Scaff – ganhando a vice-presidência da mesa. O presidente do diretório municipal, João Mendonça, antecipou que se for mantida a decisão de Bordin, o partido poderá tomar as ‘‘sanções estatutárias’’. Em outras palavras: a rebeldia pode custar até a expulsão.
No ninho tucano a situação não é diferente. Kanashiro, presidente do diretório municipal, concorda com a avaliação de que o bate-chapa, ao invés de fortalecer o partido, evidencia fragilidade. ‘‘Realmente houve uma composição heterogênea na chapa do Beto e isso pode confundir o pensamento das pessoas, já que ele compôs com grupos que temos divergência’’, lamentou. Mas ele acha cedo para falar em sanções. ‘‘Como presidente, não penso em tomar atitude porque o partido vai estar no poder. Mas pessoas ligadas ao PSDB não ficaram satisfeitas com esse desfecho. Vamos aguardar para ver o que vai acontecer.’’

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