Tucanos atacam Governo Lula na festa da LRF
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de maio de 2005
Rose Ane Silveira<br>Folhapress 
Brasília - O seminário do PSDB de comemoração dos cinco anos da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) se tornou palco ontem de ataques ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os participantes do evento, em suas falas, lembraram que o PT tentou de todas as formas evitar que a LRF fosse aprovada no Congresso. ''O PT, que hoje cultua a Lei de Responsabilidade Fiscal, tentou derrubá-la no Congresso. Não conseguindo, recorreu ao Supremo Tribunal Federal com uma ação direta de inconstitucionalidade. Hoje, o governo tenta a todo instante driblar a LRF. Isso, o PSDB quer denunciar'', afirmou o deputado Sebastião Madeira (PSDB-MA), presidente do Instituto Teotônio Vilela.
Na abertura do seminário, os tucanos divulgaram que todos os petistas votaram contra a matéria, inclusive o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante - atualmente, eles são maiores defensores do cumprimento desta LRF.
O presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo (MG), foi o tucano mais moderado em seu discurso. Segundo ele, a LRF é um marco na história da administração pública no Brasil e um legado do governo tucano. Para o ex-governador de Minas Gerais, a data é uma excelente oportunidade para comemorar os avanços obtidos com a lei, mas também serve de alerta para intensificar a vigilância em nome da responsabilidade fiscal.
''Devemos cobrar dos membros do atual governo a continuidade no cumprimento das regras com as quais, quem diria, chegaram a discordar no passado'', destacou, lembrando que durante o governo tucano o PT foi contrário à LRF. Já o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso lembrou que nove dos atuais ministros do governo Lula votaram contra a LRF.
A cúpula do PSDB afinou o discurso e descartou falar em nomes para disputar a sucessão presidencial em 2006. Indagado se o PSDB não está atrasado no seu processo de escolha de um nome do partido para disputar as eleições com o presidente Lula, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disparou: ''Está atrasado nada. O povo quer ver a gente trabalhar, não quer ver perdendo tempo fazendo campanha. Chega disso.''
Apesar de garantir não pensar na sucessão presidencial neste momento, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, avaliou que pode no futuro aceitar uma indicação do seu partido para disputar o cargo. ''Na vida, obviamente, ninguém, descarta nada. Mas não é o meu projeto. Se alguém pensar na Presidência da República como um projeto pessoal, só terá uma consequência: será derrotado'', disse Aécio.
Para o governador de Minas Gerais, ''a Presidência da República é e deverá ser sempre muito mais destino do que ação. O que eu tenho dito é que a candidatura, não digo nem do PSDB, mas do nosso grupo partidário, deve surgir com muita naturalidade. Surgirá no tempo certo. Não se trata de adiar. É esperar que as coisas surjam''.
Já o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que teria dito em conversas reservadas ser o nome natural do PSDB para disputar as eleições presidenciais de 2006, declarou que o partido vai ter tempo para escolher uma nome entre seus quadros. O governador, no entanto, não quis adiantar se o lançamento de um nome será este ano. ''Tem que deixar, o próprio andamento do processo que vai resolver'', declarou. Segundo Alckmin, o PSDB faz bem ao não escolher uma pessoa para vocalizar as posições do partido em relação à sucessão presidencial. ''Não é bom para o partido, é preciso amadurecer o processo'', avaliou.


