Tucanos ameaçam lançar candidato próprio no RS
O presidente Fernando Henrique Cardoso corre o risco de ter de colocar um pé no palanque do PMDB e outro no do PSDB durante a campanha de 1998 no Rio Grande do Sul. Ele gostaria de desfrutar apenas da companhia de um amigo dileto, o governador Antonio Britto (PMDB/foto), mas ficará muito desagradável se, para isto, tiver de repudiar seu partido. É que, agora, nos primórdios da campanha, os tucanos gaúchos ameaçam uma revoada rumo à candidatura própria ao Palácio Piratini. Se não tivermos candidato, seremos sempre vistos como o partido que pega carona nas coligações, justifica o vice-governador Vicente Bogo, do PSDB.
O desejo de candidatura própria vem da própria base do PSDB que já se manifestou favorável a ela por duas vezes, reforça. O pré-candidato é o próprio vice de Britto. Bogo comunicou à executiva do PSDB que seu nome está à disposição do partido. Mas reparou que a pré-candidatura não significa uma ruptura com Britto ou inviabiliza uma eventual composição com o o PMDB.
Quero dizer que o nosso palanque estará a disposição do presidente Fernando Henrique, com quem nos sentimos identificados, anuncia Bogo. Como Britto tem negado que vá tentar a reeleição - embora ninguém acredite nisso - Bogo sente-se ainda mais à vontade. Quem irá dar sequência ao governo?, indaga o possível candidato do PSDB. E quanto a palanques, Bogo levanta outra questão. E em qual deles subirá um eventual candidato do PMDB ao Planalto?, pergunta. Um peemedebista na briga pelo Planalto seria outro desconforto para Britto, totalmente alinhado com FHC.
Mesmo garantindo que seu relacionamento com o governador é muito bom, Bogo deixa claro que as articulações governistas para compor a chapa majoritária o colocaram em uma posição constrangedora. No esboço da chapa majoritária da aliança que elegeu Britto - PMDB,PPB,PFL,PTB,PSDB,PL - não há lugar para o PSDB. As candidaturas de governador e de senador caberão ao PMDB e a de vice-governador está prometida para o PPB, embora Bogo desconfie que os militantes da ex-Arena e do ex-MDB não devam se sentir muito à vontade na aliança. Sabemos que quando os partidos se opuseram fortemente no passado, a base rejeita o acordo acertado pelas cúpulas, interpreta.
O problema é que o PSDB é pouco expressivo no Rio Grande do Sul. Possui apenas quatro deputados federais, um estadual e seis prefeitos, atrelando-se ao PMDB ou ao PDT nas disputas para o governo estadual. Contamos com 48 mil filiados, quase o mesmo número do PT, e o partido deve ter cara própria,
contra-argumenta o pré-candidato tucano.





