Tucanos adiam escolha de líder em Londrina
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domingo, 19 de junho de 2005
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Inicialmente programada para definir a nova presidência da sigla, em Londrina, a convenção do PSDB ontem de manhã se transformou em palco de uma sequência de discursos anti-petistas. O evento foi realizado na Câmara de Vereadores, onde o tom das críticas especialmente ao Governo Federal despontava como mote da ocasião já a partir de faixas estendidas no Plenário. Do mensalão aos escândalos nos Correios, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi figura recorrente durante quase toda a reunião.
No fim, a própria escolha de um novo líder para a Executiva ficou para o próximo dia 27, às 19 horas, no Hotel Sumatra. Segundo o secretário-geral do partido, deputado federal Luiz Carlos Hauly, a suspensão servirá para que os filiados tenham mais tempo para definir o voto na chapa que, conforme ele, pode ser encabeçada pelo vereador Roberto Kanashiro.
Também integrante tucano, o advogado Claudemir Molina explicou que prorrogar a votação até dia 27 seria uma chance de se definir ''com mais exatidão'' quem segue à frente da presidência. Ele não citou quais, mas admitiu que podem haver mais nomes para o posto que era ocupado pelo vereador Tercílio Turini. Sem partido até a semana passada, Turini aguarda filiação ao PPS de Rubens Bueno, cujo convite foi aceito na última quinta-feira.
Presente à convenção, o deputado federal Gustavo Fruet, em um discurso longo, aproveitou para tecer críticas ao PT direcionadas às investigações de corrupção nos Correios e em partidos da base aliada, a respeito do mensalão. Fruet é membro da Comissão de Ética do Congresso Nacional e da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Em uma de suas falas, o parlamentar considerou ''promíscua'' a relação entre Congresso e União, mas salientou ter sido ''positiva'' a ascensão dos ex-opositores de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ao poder, como forma de alternar ou testar o jogo democrático. ''Agora é o PT que terá que renascer dessa crise. E à população, caberá aprender que quem estava na oposição e agora é Governo se contradiz no discurso'', disse, emendando em seguida que ''não é intenção o PSDB desestabilizar o Governo''.
Sobre a CPI dos Correios, Fruet informou que ela deve trazer novidades nesta semana, especialmente após o depoimento do ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), Maurício Marinho. Ele depõe na terça-feira, às 18 horas, depois de ter sido filmado recebendo R$ 3 mil que nega que ser propina.
''Nossa expectativa é para saber se as gravações saíram ou não de áreas de segurança dentro do governo. Mesmo assim, a impressão é que essas áreas não conversam entre si; há uma disputa muito clara tanto na Polícia Federal quanto na Abin (Agência Brasileira e Inteligência)'', comentou o deputado. Conforme ele, há ''bem mais que uma hora de gravação'' para vir à tona, com as degravações de outras duas fitas, em um total de cinco horas. ''Recebi contatos de pessoas investigadas, e presas, e a PF primeiro prendeu quem fez a investigação e as posteriores denúncias de corrupção. Isso tem que ser esclarecido no momento adequado'', sinalizou.
Se a CPI do Mensalão sai do papel? ''A investigação pode ser na Corregedoria, no Conselho Ética, na CPMI dos Correios, ou em outra CPI. Mas é possível que ela seja uma consequência da dos Correios, para não haver conflito na competência entre as comissões'', concluiu.
Confirmado para a convenção de ontem, o senador Álvaro Dias não participou porque, segundo a assessoria de Hauly, teve de cumprir agenda em Brasília.


