Tucanos acusam governadores
de ‘roubarem’ as obras de FHC
Secretário-geral do PSDB, Arthur Virgílio, diz que um dos
principais problemas do governo é a falta de comunicação
Governo vai colocar placas nas obras para usar na campanha
Arquivo FolhaApropriação indébitaArthur Virgílio: governo federal dá o dinheiro, mas é o prefeito ou o governador que inaugura a obraUm levantamento iniciado há cerca de um mês pelo PSDB constatou que governos municipais e estaduais estão ‘‘roubando’’ do governo federal, com propaganda, os dividendos eleitorais de obras de grande impacto em suas regiões. O problema, que estaria prejudicando a campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso à reeleição, será discutido pela cúpula tucana hoje e sexta-feira no Rio de Janeiro. Segundo o secretário-geral do partido, deputado Arthur Virgílio (AM), a situação já começou a ser atacada: o governo está colocando placas nessas obras e filmando-as, para mostrá-las na televisão.
‘‘Muitas vezes, o município ou estado entra com apenas 10% ou 20% do valor total da construção, e a União dá o resto, mas é o prefeito ou governador que instala a placa, falando de seu governo’’, disse ele. Para Virgílio, um dos grandes problenas do governo é a comunicação. O tema será discutido hoje no encontro dos tucanos, quando os responsáveis pela área farão relatos sobre a situação em cada estado. O publicitário Nizan Guanaes, responsável pela campanha de Fernando Henrique, falará sobre o marketing do governo. Na sexta-feira, haverá um ato político, com integrantes da direção nacional e governadores do PSDB.
Virgílio defendeu a unificação do discurso de campanha em torno da defesa do real e das realizações concretas do governo. ‘‘Não vamos fazer uma coisa aterrorizada (em relação ao candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva), mesmo porque não temos medo do Lula’’, disse o parlamentar. O deputado deverá defender no encontro que seja mostrado que ‘‘sem o Plano Real, seria muito pior’’ e que seja exposto à população que a globalização, e alguns de seus efeitos, como o desemprego, são inevitáveis. ‘‘Temos de dizer: ‘Imaginem esse processo com inflação alta’’’, disse Virgílio.
Para o secretário-geral tucano, ‘‘não há razão objetiva para temer a vitória de uma candidatura que chama uma entrevista coletiva para explicar que não precisam ter medo dela’’. Segundo ele, o PT, apesar de prometer a estabilidade, ‘‘sugeriu dez ou 12 medidas inflacionárias’’, como a proposta de aumento do salário mínimo, para ele produto de ‘‘demagogia primária e primitiva’’. ‘‘O eleitor vai refletir e ver que a inflação não é invencível, não suporta qualquer pessoa que entre e resolva torcer certas verdades econômicas’’, afirmou, antecipando parte do discurso de campanha que defenderá no encontro. ‘‘E, voltando a inflação, não sabemos o que pode acontecer com a democracia.’’
Para ajudar a identificar as obras do governo com a administração federal e municiar os seus cabos eleitorais, o PSDB está preparando material de propaganda que será distribuído a delegados e militantes na convenção nacional da legenda. Pelo menos um dos livros do kit que cada visitante receberá nesse encontro vai listar as realizações do governo. Alguns problemas, curiosamente, foram detectados no programa ‘‘Brasil em Ação’’, onde governantes locais, em alguns casos, ocultaram a participação do governo Fernando Henrique Cardoso e faturaram os dividendos políticos.
‘‘Até colocamos placas nas obras, mas às vezes o prefeito ou o governador vem e coloca uma placa maior, que esconde a nossa’’, afirmou um assessor tucano. (AE)

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