Tucano vai ao TJ contra Paranaeducação
Tucano vai ao TJ contra Paranaeducação
José Maria Ferreira (PSDB) alega que criação da Paranaeducação é inconstitucional porque assume dever do Estado
Leandro Donatti
Arquivo Folha
Na JustiçaFerreira: a natureza jurídica da Paranaeducação é de direito privadoO deputado estadual José Maria Ferreira (PSDB) decidiu antecipar-se ao parecer do procurador geral de Justiça, Gilberto Giacóia, e ajuiza nesta segunda-feira, junto ao Tribunal de Justiça, ação direta de inconstitucionalidade (adin) contra a Paranaeducação, empresa de direito privado idealizada pelo governo Lerner para auxiliar no gerenciamento da Educação no Estado. Vice-presidente da comissão de Educação na Assembléia Legislativa, o deputado quer revogar a lei e impedir que o governo dê continuidade ao projeto, que inclui entre outras coisas a contratação de professores com regras mais flexíveis que as exigidas em concurso público.
Essa empresa está assumindo uma função do Estado. Isso pode trazer implicações, já que a natureza jurídica da Paranaeducação é de direito privado, alertou ontem o tucano. José Maria Ferreira pretende movimentar ainda a questão internamente, entre os deputados de oposição ao governo estadual. Paralelo à adin, ele apóia a apresentação de um novo projeto de lei revogando todos os dispositivos aprovados pelos deputados em dezembro de 97. Com 30 páginas, a ação a ser protocolada no TJ reforça os argumentos levantados pelo Ministério Público do Trabalho, que é contra a contratação dos professores sem concurso.
O secretário da Educação, Ramiro Warhraftig, lamentou a decisão do deputado do PSDB e disse que não vai se intimidar com a pressão. A lei da Paranaeducação está em vigência. Não vamos interromper compromissos assumidos, avisou. Warhraftig informou que nos próximos dias enviará nova mensagem à Assembléia reduzindo de R$ 180 milhões para R$ 75 milhões a rubrica orçamentária que autoriza contratações de professores e de funcionários através da empresa. O pedido está emperrado há pelo menos duas semanas e enfrenta a resistência da oposição.
Warhraftig não vê a alteração da mensagem como um sinal de recuo. Ele explicou que as contratações de funcionários e professores via Paranaeducação serão feitas em duas etapas e não mais tudo em maio, como estava previsto. A comissão de política pessoal da secretaria decidiu assim. As contratações de pessoal na área administrativa ocorrerão de maio ao final de julho e a dos professores de julho a dezembro. Até lá acabaremos com os contratos temporários, avaliou.
A ação de José Maria Ferreira começa a tramitar na Justiça antes da manifestação do Ministério Público estadual, que promete pronunciar-se também na segunda-feira.





