Tucano terá papel fundamental no impasse com Minas
Mário Covas deverá exercer um papel fundamental na crise gerada por Itamar Franco, de Minas, que desafiou o governo ao decretar moratória, abalando o pacto federativo. A avaliação é de ministros e políticos governistas que participaram ontem da posse de Covas.
O ministro da Política Fundiária, Raul Jungmann, lembrou que Covas tem capacidade para intermediar o diálogo, pois passou pela experiência de renegociação da dívida paulista com o governo federal, sem abrir mão dos interesses do Estado. Jungmann criticou a atitude de Itamar Franco, chamada de desafio à lei.
O ministro Celso Lafer (Desenvolvimento), disse estar convencido de que o governador paulista pode ajudar na solução da crise provocada pela declaração de moratória de Minas. Covas saberá, melhor do que ninguém, como deve contribuir.
Lafer lembrou declaração de FHC de que um dos ingredientes da democracia é o cumprimento das obrigações e o respeito ao estado de direito. Os Estados e a União negociaram um acordo, gerando para os Estados uma indiscutível vantagem, afirmou.
Segundo Lafer, a reunião promovida pela governadora do Maranhão, Roseana Sarney, amanhã, será positiva para discutir a moratória de Minas na perspectiva correta, pois o acordo entre os Estados e a União já foi feito e deve ser cumprido.
Quanto ao fato de que Itamar não acreditava na execução da dívida, Lafer afirmou: É fundamental que haja consciência e coerência quanto ao equilíbrio de contas públicas e o saneamento das finanças, tenho convicção de que o presidente Fernando Henrique não fez ameaças, mas colocou o assunto da maneira como deve ser tratado, com cuidado.
Os ministros Paulo Reato Souza (Educação), Luiz Carlos Bresser Pereira (Ciência e Tecnologia) e Francisco Weffort (Cultura), que estiveram na posse, também deram declarações nas quais ressaltam a possibilidade de Covas promover um diálogo entre o governo federal e os governadores de oposição. (A.E.)





