Tucano resiste e complica Temer
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terça-feira, 04 de fevereiro de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - Os números anunciados são favoráveis, mas o governo ainda não está seguro de que conseguirá eleger o líder do PMDB, deputado Michel Temer (SP), presidente da Câmara dos Deputados. Às vésperas da eleição, os aliados do governo se desdobravam ontem em duas frentes: convencer o candidato independente do PSDB, Wilson Campos (PE), a retirar sua candidatura, e concretizar uma manobra regimental para facilitar a vitória de Temer no primeiro turno, amanhã.
A ofensiva de anular a ameaça do baixo-clero (o eleitorado de Campos) à vitória de Michel Temer foi assumida pelo próprio presidente Fernando Henrique Cardoso. No início da tarde, Fernando Henrique chamou o senador Carlos Wilson (PSDB-PE), filho de Wilson Campos, para uma conversa no Palácio do Planalto. Do senador, o presidente ouviu que não adiantava chamar o pai para tentar uma composição em favor da candidatura Temer. Sobre uma possível renúncia de Campos, Carlos Wilson avisou: A esta altura, está fora de cogitação.
O candidato tucano dissidente tem em suas mãos a oferta da vaga da primeira vice-presidência na chapa de Michel Temer. A vaga, garantida ao PFL, está preenchida pelo deputado Heráclito Fortes (PFL-PI) que, no caso de um acordo com Campos, concorreria na primeira-secretaria, até hoje assegurada ao deputado Ubiratan Aguiar (PSDB-CE). Campos, no entanto, descartou qualquer possibilidade de desistir de disputar a presidência.


