Tucano rechaça relatório do pedágio
Para o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), não há irregularidades nas doações de campanha que recebeu de empresas que integram as concessionárias de pedágio no Estado. Segundo relatório parcial de investigação conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF), divulgado na semana passada, o então candidato do PSDB recebeu R$ 2 milhões em 2010. O tucano também se utilizou da prática na campanha anterior, à Prefeitura de Curitiba, quando angariou R$ 1 milhão. "As concessionárias não doaram, não podem doar, isso é proibido por lei."
Segundo o MPF, o governador apresenta um discurso mais ameno, com propostas conciliatórias junto às concessionárias, determinando a suspensão de dezenas de ações judiciais envolvendo o Estado e as empresas. Mas nenhuma revisão contratual beneficiou o usuário. "Mais ameno? O que o governo estadual anterior fez? Zero. Só demagogia. Falava ou abaixa ou acaba, mas nenhuma coisa, nem outra. Onde estava o Ministério Público naquele momento?", rechaçou Beto, durante entrevista coletiva.
No entanto, o relatório do MPF não poupou nenhum gestor desde que os contratos de pedágio foram firmados. Sobre o ex-governador Roberto Requião (PMDB), citado por Beto, o MPF afirmou que "em que pese tenha assumido um discurso de beligerância em relação aos pedágios, também pouco fez de efetivo para melhorar a situação para o usuário". Pelo contrário, dessa época, segundo o MPF, se iniciam os atos "informais" de modificação do Plano de Exploração de Rodovias (PER) que suprimiram ainda mais obras em troca de redução tarifária.
Quanto à falta de publicidade e consequente "dificuldade grande de disponibilização do acesso às informações envolvendo os contratos de concessão", apontada pelo MPF, Beto critica: "Não tem nenhum engenheiro ali para fazer esse tipo de avaliação, não aceito. Não tenho o que esconder" (E.F.)





