Tucano rebate críticas de ACM contra FHC
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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2001
Eugênia Lopes e Isabel Braga Agência Estado De Brasília 
O presidente Fernando Henrique Cardoso escalou o líder tucano na Câmara, Jutahy Magalhães (BA), para responder às acusações do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) de que o governo é conivente com a corrupção. Fernando Henrique decidiu não se dirigir ao senador, apostando na perda da credibilidade de ACM depois das sucessivas denúncias sem a apresentação provas.
O que parece é que o ACM quer voltar ao tempo da ditadura, quando eram instaladas comissões gerais de investigação e se cassava mandatos de parlamentares sem provas, disse um aliado do Planato. Ontem, Jutahy, líder interino do PSDB e adversário histórico de ACM na Bahia, chamou o ex-presidente do Senado de incompetente e soberbo.
Anteontem, ACM comparou Fernando Henrique ao novo presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), que na avaliação do senador baiano é corrupto e ladrão. ACM foi o grande derrotado nas eleições do Congresso por incompetência e soberba e quer desviar o assunto, sustentou Jutahy. Essa entrevista do ACM não dignifica alguém como ele que participa do governo.
Na opinião do líder interino, as acusações de ACM ao governo não seriam feitas pela grande maioria dos integrantes do PFL. Tenho absoluta convicção que 99,9% do PFL não faria essas declarações, disse. Jutahy afirmou ainda que, até que se prove o contrário, Jader é um homem digno e honrado. E da forma como ACM comparou Fernando Henrique a Jader ficou parecendo uma ofensa, argumentou o tucano.
Jutahy apresentou um documento da Advocacia-Geral da União (AGU) apontando as providências administrativas e legislativas adotadas pelo governo em relação a denúncias feitas por ACM sobre o Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER). O DNER é subordinado ao Ministério dos Transportes, hoje comandado pelo peemedebista Eliseu Padilha, um dos desafetos de ACM.
Pela manhã, quatro tucanos o novo presidente da Câmara, Aécio Neves (MG), os líderes do governo no Congresso, Arthur Virgílio (AM) e José Roberto Arruda (DF), além do secretário-geral, ministro Aloysio Nunes Ferreira foram ao Alvorada para avaliar com Fernando Henrique qual seria a melhor maneira de responder às acusações de ACM. A avaliação, mantida nas reuniões da tarde realizadas no Planalto, foi de que o melhor seria não dar palanque para o senador. O presidente não quer continuar esse processo de baixaria, resumiu um assessor palaciano.
Até o briefing diário, no qual o porta-voz transmite declarações do presidente sobre diferentes temas, foi cancelado sem qualquer justificativa por parte dos assessores. O presidente está muito irritado, afirmou um interlocutor de Fernando Henrique. Mas vamos deixar o ACM falando sozinho, completou.
O advogado-geral da União, Gilmar Mendes, que já havia despachado com Fernando Henrique no Alvorada, foi convocado para nova reunião no final da tarde no Planalto. Mas o fato de o senador dispor de imunidade parlamentar acabou desestimulando uma possível interpelação judicial. Qual o efeito prático disso?, indagou um assessor.
Os ministros citados nas declarações da ACM divulgaram notas para rebater as acusações. O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, chamou ACM de velho político, com inegáveis méritos em sua biografia. Disse que ele está em seu ocaso político e ponderou que ACM não pode transformar frustrações pessoais e políticas em intranquilidade para o País.
O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, chamado por ACM de Eliseu Quadrilha, atacou o caráter do senador baiano e disse que ele está se aproveitando do espaço que ainda tem na mídia para evitar o ostracismo. O ministro acionou um advogado para obrigar ACM a esclarecer judicialmente o significado da expressão quadrilha.


