Tucano ouve economistas sobre programa
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de março de 2006
Suely Caldas<br>Agência Estado 
Rio Janeiro-- Desde o fim do ano passado o governador Geraldo Alckmin tem ouvido, perguntado, anotado e encomendado papers para economistas de correntes divergentes e ligados ao PSDB. Agora, candidato oficial, prepara nova rodada de conversas para escolher, finalmente, as idéias que defenderá na campanha eleitoral e vão compor seu programa econômico de governo. Preferências ele não revela, mas são conhecidas suas relações de amizade e confiança com Yoshiaki Nakano e o ex-ministro Pedro Malan, com quem costuma se aconselhar, inclusive para compor equipe, como ocorreu na escolha de Eduardo Guardia para a Secretaria de Fazenda de seu governo em São Paulo.
Nessa maratona de conversas, o candidato tucano incluiu Armínio Fraga, Edmar Bacha, Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ilan Goldfajn, Amaury Bier e Claudio Moura e Castro, além de Nakano e Malan, com quem esteve mais de uma vez em jantares no Palácio dos Bandeirantes, levado por Guardia.
Disciplinado e avesso a ousadias e riscos, Alckmin tem concordado com os conselhos de Malan e Armínio Fraga para manter a política macroeconômica que Palocci deles herdou e consiste em metas de inflação, câmbio flutuante, aperto fiscal e o uso da taxa de juros para controlar a inflação. Mas com uma diferença: acelerar o ritmo de queda dos juros. Em relação à dívida pública, que já ultrapassa de R$ 1 trilhão, Edmar Bacha defendeu a desvinculação gradativa da taxa Selic, com o governo oferecendo um pequeno ágio para seus papéis, com o que concorda Mendonça de Barros - e o secretário do Tesouro, Joaquim Levy, tem feito com relativo sucesso.
Em relação ao câmbio, porém, Mendonção fala mais explicitamente do que os outros em uma ''flutuação suja'', com intervenções do Banco Central ''sempre que necessário''.
O governador não manifesta oposição a essas questões, mas ele quer mais. Sua insistente fixação é extrair dos interlocutores idéias para a economia crescer de forma sustentada e a taxas mais elevadas, de 5%, 6%.


