Tucano e pedetista são os campeões de voto no Rio
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terça-feira, 06 de outubro de 1998
Murilo Fiúza de Melo Agência Estado 
Um apóia a política econômica do governo e é do mesmo partido de FHC; o outro, egresso do chaguismo, defendia a eleição do petista Lula. Em comum, a profissão, jornalista, e a quantidade de votos. O tucano Sérgio Cabral Filho e o pedetista Miro Teixeira foram os campeões de urna dessas eleições no Rio. Cabral, que vai para o terceiro mandato consecutivo, foi escolhido por 378.242 eleitores - a maioria, pessoas da terceira idade. Foi a maior votação já obtida por um candidato a deputado estadual no Brasil. Miro Teixeira, que também está indo para o seu terceiro mandato, não ficou atrás: recebeu 263.015 votos.
Eu só tenho que agradecer a população do Rio pela confiança que ela me depositou e espero não decepcionar, disse Teixeira, eufórico. Renovado, ele quer defender na Câmara dos Deputados a ampliação dos benefícios da aposentadoria aos trabalhores informais, quando a reforma da Previdência voltar à pauta de discussões. Outro projeto é limitar a renúncia fiscal, que hoje, segundo ele, custará R$ 16 bilhões no orçamento da União desse ano. A minirreforma, proposta do atual mandato do pedetista, será colocada de lado. Essa proposta só seria legítima com a aprovação da população por um plebiscito, que seria realizado junto com a eleição, mas isso não aconteceu, justificou.
Teixeira acredita que as relações no Congresso estão mudando. O discurso ideológico começa a ceder espaço para um tom mais prático. O Brasil não se divide mais em governo e oposição mas em idéias, avaliou. No Congresso, os grupos estão se formando em torno de idéias, quantas vezes nós, da oposição, votamos em um projeto do governo, que deixou de ser aprovado porque a sua própria base foi contra?, exemplificou. Apesar da avalanche de votos, Teixeira garantiu que fez uma campanha franciscana. Ela se resumiu ao horário eleitoral, santinhos e galhardetes, disse o pedetista, revelando que gastou R$ 140 mil na campanha.
Dos escassos 12 mil votos que teve em 1990, quando foi eleito deputado estadual pela primeira vez pelo PSDB, até os quase 400 mil que conseguiu agora, Cabral Filho viveu uma carreira meteórica na política, impulsionada, em parte, pelo pai o escritor e jornalista Sérgio Cabral. Nesses oito anos, porém, teve dois revezes: perdeu a disputa à prefeitura do Rio, em 1992 e em 1996. Somente na capital, Cabral Filho obteve mais de 250 mil votos.


