Arquivo FolhaVirgílio: resposta a InocêncioO secretário-geral do PSDB, deputado Arthur Virgílio Neto (AM), acusou ontem o líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), de ‘‘blefar’’ com o possível apoio à instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da compra de votos para a reeleição. ‘‘O PSDB não tem mais nenhum de seus integrantes devendo nesta questão, que agora é exclusivamente pefelista’’, afirmou o dirigente tucano.
O líder do PFL dissera, na quinta-feira, que se o PSDB continuasse a agredir seu partido, poderia apoiar a CPI da compra dos votos. A briga entre os dois principais integrantes da base de sustentação do governo interrompeu a votação da reforma administrativa esta semana. Os líderes dos partidos aliados acham que só será possível retomar a votação da proposta em julho, no período de convocação extraordinária.
‘‘O blefe deve ser denunciado à Nação, porque faz parte do jogo de cartas e não de uma aliança política’’, afirmou Arthur Virgílio. Segundo ele, Inocêncio Oliveira só pode estar passando por uma fase de isolamento dentro do PFL. ‘‘Eu almoço com o presidente em exercício, José Jorge, e nos entendemos muito bem; falo com o presidente licenciado, Jorge Bornhausen, e nos damos muito bem; converso com o líder Luís Eduardo Magalhães e nos entendemos perfeitamente’’, continuou o secretário-geral do PSDB. ‘‘Acho que o deputado Inocêncio Oliveira está passando por uma fase de isolamento no PFL e isto não é bom.’’
Inocêncio Oliveira reclamara, anteontem, que o PSDB havia cometido três grosserias inaceitáveis com o PFL. Primeiro, as críticas do governador de São Paulo, Mário Covas, à escolha do líder Luís Eduardo; segundo, a atitude do líder do PSDB, Aécio Neves (MG), de não votar um acordo para o projeto das telecomunicações; terceiro, a carta do deputado Nelson Otoch (CE) ao governador do Amazonas, Amazonino Mendes (PFL), que não compareceu à Comissão de Constituição e Justiça para depor no caso da suspeita de compra de votos de deputados do Acre. A carta foi considerada desrespeitosa.
Arthur Virgílio respondeu a Inocêncio, ponto por ponto. Segundo ele, em nenhum momento Mário Covas fez críticas a Luís Eduardo Magalhães; em segundo lugar, o líder Aécio recusou-se a fechar questão na possibilidade de reajuste de tarifas das telecomunicações para não rachar o PSDB, o que também foi posto em prática pelo PFL; por último, a carta de Nelson Otoch a Amazonino Mendes visou, segundo ele, apenas a esclarecer o episódio da compra de votos’’.

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